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O Plural não aceita dinheiro de bets. E agora você sabe o porquê

Todo mundo aceita anúncio de bets, menos a gente? Que seja. Dormiremos tranquilos e seguiremos com nossa aposta em fazer um jornalismo limpo e independente

O Plural não aceita dinheiro de bets. E agora você sabe o porquê
Foto: Anna Tolipova/Freepik
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Toda semana chega no email do Plural uma proposta para divulgar bets, cassinos on-line ou coisas do gênero. São anúncios que, obviamente, poderiam fazer bem para o caixa de um jornal - e não é de espantar que a maior parte dos veículos aceite esse tipo de verba.

Basta abrir qualquer jornal (ou assistir a qualquer canal de tevê, ou ouvir dez minutos de rádio) para perceber que as bets são onipresentes na mídia brasileira hoje. Do Brasileirão ao blog menos conhecido, estão lá os patrocínios bancados pelas apostas.

O Plural, desde o começo, decidiu que não aceitaria dinheiro dessas empresas, sejam elas legalizadas ou não. O motivo é simples, mas não custa repetir o óbvio. As bets são danosas para as pessoas e para o país. Viciam, causam perdas financeiras, destroem famílias.

No começo, talvez parecesse uma excentricidade nossa - recusar o que todo mundo faz muitas vezes dá a impressão de falta de juízo, ainda mais quando se trata de dinheiro. Mas a gente nunca teve dúvida de que estava fazendo a coisa certa.

O comercial já tem até um email pronto (em português e inglês, porque as propostas vêm de todo lugar) para dizer que não, não aceitamos anúncios de bets, como não aceitamos de prostituição, pornografia, etc.

Hoje, o que antes era visto como excentricidade do Plural começa a fazer mais sentido para outras pessoas.

Os números sobre endividamento, as histórias de gente que naufragou, do dano causado por doses de dopamina viciantes, os valores gastos pelos mais pobres, incluindo dependentes do Bolsa Família, o dinheiro que deixa de ir para o comércio nos bairros para pagar jatinhos e iates de donos de bets - tudo isso veio à tona, como a gente sabia que viria.

Há riscos sociais ainda mais graves envolvidos. Tipicamente, operações de jogos de azar servem para lavagem de dinheiro, principalmente do crime organizado. Aceitar dinheiro de bets, nesse sentido, é correr o risco de estar ajudando a legitimar ganhos de organizações como PCC e Comando Vermelho.

Não há nada de bom nas bets. Trata-se de um projeto de enriquecimento de poucas pessoas com base na perda de muita gente. Gente inocente. Gente viciada. Gente sem grana.

Torcemos, no Plural, para que as propagandas das bets sejam proibidas, como já aconteceu com o cigarro; e em última instância, desejamos que as próprias bets sejam banidas do país, embora os tentáculos das empresas no Congresso e na mídia hoje tornem isso cada vez mais uma utopia.

Enquanto isso, fazemos a nossa parte. Aceitamos anúncios apenas de empresas que admiramos, ainda que isso nos torne tudo mais difícil. Gostamos de ter nossa receita vinda em boa parte da nossa comunidade, dos nossos assinantes, porque sabemos que essas pessoas apostam (e essa sim é uma aposta que aprovamos) no jornalismo e na democracia.

Todo mundo aceita anúncio de bets, menos a gente? Que seja. Dormiremos tranquilos e seguiremos com nossa aposta em fazer um jornalismo limpo e independente.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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