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Crítico de vinhos recomenda: “beba com alegria”

Sem muitas firulas, Jon Bonné explica os códigos ao redor da bebida no livro “As novas regras do vinho”

Por Admin
Crítico de vinhos recomenda: “beba com alegria”
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“As novas regras do vinho”, de Jon Bonné, é pouco maior queum livro de bolso. Tem capa dura, uma diagramação elegante e dezenas deilustrações. É um livrinho muito simpático.

Ele se divide em oito capítulos que somam 89 regras – o queparece um número aleatório, não? Mas, num mundo em que se fala muito das 10 coisaspara fazer isso, ou nas 100 ou 1001 sei-lá-o-quê, encontrar alguém que lista 89regras (não 100, não 1000) já é um alento.

A organização dos capítulos é simples e funciona bem, falandosobre “como escolher”, “como servir e desfrutar”, “jantando fora”, “bebendo emcasa “etc.

Na verdade, o autor Jon Bonné, jornalista americano queescreve sobre vinhos para o “San Francisco Chronicle”, conseguiu criar um guiacurto e direto, sem muitas firulas. (Como o tema é vinho, parece que algumafirula sempre acaba escapando.)

“Este livro nasceu da ideia de que a coisa mais valiosa quetenho a compartilhar é um resumo prático de princípios que aprendi paraincorporar o vinho ao dia a dia: como descobrir do que você gosta, comoescolher uma garrafa para o churrasco do fim de semana, quando fazer alarde equando ser discreto”, escreve Bonné, na introdução.

A melhor dica que ele dá, dois parágrafos depois, é: “bebacom alegria”. Ele se refere ao medo de errar que costuma afligir os “amantes dovinho”. E essa é uma parte importante da lição ensinada no livro: se você seinteressa em beber vinhos, não tema, não se preocupe demais com harmonizações epreste atenção em alguns detalhes importantes (a temperatura da garrafa é umdeles).

Bonné escreve de um lugar bem específico: além de seramericano e de ter sido editor num dos principais jornais dos Estados Unidos, écasado com a dona de uma importadora que vende “alguns dos melhores [vinhos] domundo”. Arrá!

Na página 58, ele decide falar sobre dinheiro. Ainda bem quea edição brasileira teve o cuidado de converter os valores. Basicamente, Bonnédiz que é muito difícil comprar um vinho bom por menos de R$ 50. Por menos deR$ 40 então, nem pensar. O valor que ele estabelece como razoável gira em tornodos R$ 80 para um vinho “que tenha personalidade e seja bem-feito”. (É um poucoacima do meu valor razoável, preciso admitir.) Garrafas que custam menos de R$40 são descritas pelo autor como “feitas em larga escala por grandescorporações”.

O fato é que o livro tem muitas dicas legais. Entre as quemais me chamaram atenção, ele fala que comprar garrafas grandes, como aquelasde 1,5 litro, é uma boa pedida porque a bebida tende a sofrer menos ainfluência da embalagem. Ele também diz que é bom decantar quase todo tipo devinho (não só os que têm sedimentos), defende as tampas de rosca e diz quechampanhe pode ser consumido a qualquer momento e não só em datas especiais(“Comemore a sexta-feira. Comemore a pizza. Comemore a nova temporada de Stranger Things”, escreve ele).

Bonné diz que hábitos antigos relacionados ao vinho estãocomeçando a desaparecer – daí as “novas regras” do título. “Grandesinfluenciadores estão perdendo poder”, diz. “Quem bebe vinho hoje é muito maisseguro e menos propenso a se basear em pontuações definidas pela sabedoria dosconhecedores.” É mesmo?

Para alguém que defende mudanças, Bonné é estranhamenteapegado a algumas ideias obsoletas. Ele não vê problema em cheirar a rolha deum vinho, por exemplo (nesse quesito, prefiro o que diz Jonathan Nossiter,diretor do documentário “Mondovino”: que cheirar a rolha para saber a qualidadedo vinho é como cheirar a meia para saber a qualidade do sapato).

Na verdade, é bom que eu não concorde com tudo que ele escreveu.Você não precisa concordar comigo nem com ele. E se a gente discordar enquantotoma um vinho, melhor ainda.

Serviço

“As novas regras do vinho – Um guia útil de verdade com tudo que você precisa saber”, de Jon Bonné. Tradução de Lígia Azevedo e Reginaldo Azevedo. Companhia de Mesa, 152 páginas, R$ 64,90 (é o preço de uma boa garrafa de vinho).

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Tags: Paraná

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