A primeira vez em que o câncer cruzou a vida de Taís Santana foi há quase dez anos. Sentiu a mama um pouco mais densa, a pele avermelhada e decidiu procurar um médico. No mesmo dia em que saíram os resultados dos exames, foi encaminhada para um oncologista. Acompanhada da mãe, recebeu o diagnóstico e, com o medo que todo mundo sente nessas horas, começou o tratamento.
Taís, jornalista que trabalhou com rádio e televisão, sempre contando histórias dos outros, nunca evitou contar o seu próprio problema. Falou publicamente sobre a doença, contou que teve de raspar o cabelo e usar peruca para continuar fazendo tevê, explicou os medos e os perrengues que passou em função do câncer. Falou disso na própria Record, onde trabalhou por muitos anos.
No final de 2017, o tratamento já havia dado resultado e Taís seguiu com sua carreira, durante vários anos como uma das apresentadoras do jornal da rádio BandNews FM em Curitiba. Com voz potente e trato fácil, virou referência no horário dos fins de tarde.
Nos últimos anos, resolveu voltar a Maringá, para ficar mais perto da família. Continuou trabalhando na RIC, mesmo depois de ter descoberto que o câncer havia voltado. Só quando a doença já havia tornado impossível o trabalho ela parou. Passou os últimos dias internada. Faleceu nesta segunda-feira (23) em Nova Esperança, perto de Maringá. Tinha 51 anos.
Veja o que alguns colegas disseram sobre ela:
Lorena Pelanda
Conheci a Tais no dia em que ela começou a trabalhar na BandNews FM Curitiba, em 2016. Desde o primeiro dia, ela não foi apenas uma colega de trabalho, mas foi minha amiga e minha irmã de alma. Daquelas conexões raras que a gente reconhece de imediato e leva para a vida inteira.
Durante o tempo em que esteve em Curitiba, acompanhei de perto cada etapa do tratamento do câncer de mama. Eu vi a dor, o medo e, acima de tudo, vi uma mulher profundamente guerreira.
Entre notícias urgentes, boletins ao vivo e a rotina acelerada do rádio, vivemos histórias tristes e alegres. E, no meio de tudo isso, havia a nossa mania mais impossível de controlar, que era rir no ar. Bastava um olhar e a risada vinha facilmente no meio da notícia. Era uma luta interna para manter a seriedade enquanto o microfone estava aberto e milhares de pessoas nos ouviam. A gente se beliscava, segurava o ar, tentava pensar em qualquer coisa séria… mas nem sempre conseguia.
“Senhora”, como carinhosamente nos chamavam, já deixa uma saudade imensa. Enquanto isso, o céu fica cada vez mais bonito, recebendo pessoas sensacionais que fazem uma falta imensa por aqui. E nós seguimos. Com o coração apertado, mas com a certeza renovada de que é preciso valorizar a vida todos os dias, dizer o que sentimos, abraçar mais forte e não deixar para depois o que pode ser vivido agora.
Guilherme Grandi
Convivi com a Taís nos meus últimos anos na BandNews FM, acredito que uns três anos até eu deixar a rádio em 2016. Era impressionante a energia que ela tinha de atuar na TV pela manhã, cumprindo duas, três, quatro pautas, e chegar ainda empolgada à tarde para trabalhar conosco!
E ela não se deixava abater, mesmo naqueles dias de pautas difíceis e trabalhosas, sabia separar o profissional da alegria pessoal – e ela estava sempre alegre!
Perdemos contato depois que deixei a rádio e ela voltou para o interior, mas sempre curtíamos as postagens um do outro nas redes sociais. A rotina pesada da profissão prega essas peças na gente, não é mesmo?
Hoje, ao chegar para trabalhar cedinho, a mensagem no nosso grupo de ex-colegas da rádio falando dela me deixou sem chão. Só consegui reagir com um "MEU DEUS DO CÉU", seguido de uma angústia e um carinho enorme ao lembrar dela!
A luz pode até se apagar aqui no plano terreno, mas brilha lá no céu com o sorrisão e a risada farta da nossa querida Taís!!
Cleverson Bravo
É um momento difícil. Cada ano que passa da nossa vida a gente está mais perto de receber notícias assim. E uma pessoa muito nova, de 51 anos. Neste momento nada é capaz de substituir, mas eu acredito muito nisso dos laços que você cria, das pessoas que você deixa. Tem aquela frase que diz que ”o que você faz por você morre com você, mas o que você faz pelos outros fica para sempre”. E acho que a Taís tinha isso, pela profissão que escolheu, pelo caminho que seguiu, por essa profissão, pelo que norteia todos nós no jornalismo, que é a ideia de mudar a rua, a cidade, o mundo. Sempre muito apegada com Deus, com a família. Fica a lembrança mesmo.
Sumi Costa
Em cada entrevista era de um profissionalismo ímpar. Tinha empatia com todos os entrevistados. me lembro que foi entrevistar nossos X Frágeis, e foi a única que conseguiu até hoje que eles se soltassem na TV. Sentou no chão, brincou com eles... Teve um carinho único.