Texto de Marya Marcondes, aluna de Jornalismo da UFPR
Sob orientação de Rogerio Galindo
O médico ginecologista Felipe Lucas, 81, foi preso nessa quarta-feira (6) acusado de abuso sexual contra uma mulher em trabalho de parto. A investigação enquadrou o caso, que ocorreu em um exame que antecede o procedimento, como estupro de vulnerável, considerando que a paciente estava em condição de fragilidade e impossibilitada de oferecer resistência durante o atendimento. A mulher estranhou os comportamentos do ginecologista, pois informou já ter tido outros filhos, e em nenhum dos outros trabalhos de parto passou por situação semelhante.
Felipe Lucas é médico ginecologista e obstetra e completou mais de 50 anos de profissão. Na esfera política, foi vereador e prefeito de Irati na década de 1990 e cumpriu três mandatos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Em 2020, concorreu ao cargo de vice‑prefeito, mas não foi eleito.
Sequência de denúncias
Segundo a delegacia, a vítima fez a denúncia após notícias sobre agressões do homem a outras mulheres. Mais outras duas mulheres denunciaram terem sido abusadas durante os atendimentos, no entanto, não poderão render novos processos por já terem prescrito, ou seja, mais de 12 anos se passaram após os fatos.
Em abril, Felipe Lucas já havia sido denunciado e se tornado réu pelo crime de violação sexual mediante fraude após atendimento na rede pública de saúde de Irati após atendimento a uma paciente de 24 anos residente de Teixeira Soares. O médico respondeu o processo em liberdade, mas a delegacia alertou que a situação poderia ser reavaliada caso novas vítimas procurassem a polícia para relatar episódios semelhantes. Na época dessa primeira acusação, o CRM‑PR informou instaurar processo de sindicância para apurar a conduta profissional do médico, em paralelo ao andamento do processo penal.
Detido em Curitiba, a prisão é preventiva, ou seja, por período indeterminado, mas, pela idade, o ex-político pode ser transferido para prisão domiciliar. A defesa alegou ilegalidade nas acusações, e que o médico provará sua inocência.