A startup londrinense Papel para Mechas foi a única empresa do Paraná selecionada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para participar do South by Southwest (SXSW) 2026, realizado entre 12 e 18 de março, em Austin, no Texas (EUA). Considerado um dos maiores eventos globais de inovação, tecnologia e economia criativa, o encontro reuniu milhares de participantes e apenas 20 empresas brasileiras selecionadas na missão oficial — entre elas, a paranaense.
Fundada em 2020, a Papel para Mechas desenvolve um produto que substitui o papel-alumínio utilizado em processos de coloração e descoloração capilar. Segundo o cofundador Adailton Alves Maciel Junior, a solução surgiu para preencher uma lacuna no setor de beleza. “Nosso papel substitui o alumínio no salão de beleza com uma solução sustentável e tecnológica. Os próprios rótulos de pós descolorantes indicam que não se deve usar material metálico, mas isso era feito por falta de alternativa adequada”, afirma.
De acordo com ele, o uso de alumínio pode gerar problemas tanto para os cabelos quanto para o meio ambiente. “Existem estudos que apontam danos químicos no cabelo com o uso de metal. Além disso, o impacto ambiental é significativo”, diz.
Um levantamento citado pela empresa, com base em estudo do Sebrae de 2015, indicava que apenas na cidade de São Paulo eram descartadas cerca de 15 toneladas diárias de alumínio provenientes de salões de beleza — material que pode levar de 200 a 300 anos para se decompor.
O produto desenvolvido pela startup é feito de papel com uma película plástica fina tratada para acelerar a degradação. Pode ser descartado no lixo comum ou reciclado, segundo o fabricante.
Desenvolvimento e inovação
Os primeiros estudos começaram em 2018, a partir da iniciativa do sócio Lucas Olivetti, que identificou a demanda junto a profissionais da área. A empresa foi formalizada em 2020, quando Maciel Junior passou a integrar o projeto e contribuir com o desenvolvimento tecnológico.
A validação do produto contou com apoio técnico do Instituto Senai de Tecnologia do Papel e Celulose, onde foram realizados testes laboratoriais. A empresa também participou de editais de inovação e projetos com apoio do Sebrae e da Embrapii, somando mais de R$ 1,4 milhão em recursos sem cessão de participação societária.
Atualmente, a tecnologia é patenteada, segundo os fundadores, e envolve processos que não podem ser reproduzidos por gráficas convencionais.
Produção e mercado
A produção é realizada em Londrina, em uma unidade industrial própria. A empresa tem capacidade de fabricar até 50 mil pacotes por mês, com média atual em torno de 30 mil.
Com cerca de 20 funcionários diretos, a startup também atua no modelo de “private label” (quando uma empresa fabrica um produto que será vendido com a marca de outra empresa)., produzindo para mais de 150 marcas de cosméticos.
Além do mercado interno, a Papel para Mechas já exporta diretamente para 19 países.
Estratégia internacional
A participação no SXSW teve como foco a prospecção de negócios e a compreensão do mercado internacional, especialmente dos Estados Unidos. “Os Estados Unidos são o maior mercado de beleza do mundo e também o maior consumidor de produtos para cabelos loiros. Nosso objetivo é estruturar a distribuição no país e ampliar as exportações”, afirma Maciel Junior.
Durante o evento, a empresa participou de rodadas de negócios e sessões de matchmaking com potenciais parceiros e investidores, além de acompanhar discussões sobre inovação, inteligência artificial e tendências de consumo.
Segundo o executivo, a estratégia agora é consolidar presença internacional com foco em recorrência de vendas. “Exportar não é apenas vender uma vez. A venda só se consolida quando há recompra. Por isso, estamos estruturando nossa atuação com planejamento de longo prazo”, diz.