O Clube de Leitura dos Centros de Socioeducação (Cense) do Paraná foi selecionado para receber o Prêmio Direitos Humanos – Edição Luiz Gama & Esperança Garcia na categoria “Educação e Cultura em Direitos Humanos”. A premiação, promovida pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), acontece no dia 10 de dezembro, durante a 13ª Conferência Nacional de Direitos Humanos.
O Clube de Leitura dos Cense completa cinco anos em 2025. Nasceu no Cense 2 em Londrina durante a pandemia da covid-19, quando as portas das unidades foram fechadas para o mundo externo. Em 2021, a iniciativa recebeu o prêmio “Prioridade Absoluta”, do Conselho Nacional de Justiça.
“O Clubinho surge como instrumento de aproximação, enculturação e de valorização do outro, espaço dialógico por natureza, mediado pela leitura”, explica a idealizadora do projeto, a assistente social Andressa Cândido. Após o reconhecimento com o prêmio do CNJ, o “clubinho” também teve sua prática replicada no “Caminhos Literários”, programa de incentivo a leitura no sistema socioeducativo promovido pelo próprio Conselho.

Como acontece
O Clube da Leitura consiste em propor a leitura de algum livro para os adolescentes internos e em semiliberdade no sistema educativo e, depois, reuni-los para debate. Na maior parte das vezes, com o próprio autor da obra. Nascido no mundo virtual, o clubinho já recebeu nos encontros on-line grandes nomes da literatura e pensadores nacionais, como Laurentino Gomes, Itamar Vieira Júnior, Ailton Krenak, Eliane Potigara e padre Júlio Lancellotti.
“Para cada Clube de Leitura os professores, equipes técnicas e comunidade socioeducativa trabalha um livro mensal e levamos o autor ou autora para falar do livros para nossos meninos e meninas via plataforma google meet. Ja tivemos 55 encontros do Clubinho de Leitura, sendo 11 por ano. Ao todo, participam de cada encontro aproximadamente 250 adolescentes”, detalha Andressa.
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A organização do Clubinho se articula de modo interdisciplinar, com profissionais de diferentes áreas de atuação, bem como da rede intersetorial da rede protetiva, como representantes do Departamento Socioeducativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público Estadual, da Defensoria Pública, da Secretaria de Segurança Pública, da Polícia Militar, do Batalhão de Operações Especiais de Curitiba, de Ativistas em Direitos Humanos, de Influenciadores Digitais, da Universidade Estadual de Londrina e a da Secretaria Municipal Educação.
“Esses atores - com ênfase para as pessoas físicas que integram a estrutura desses órgãos - foram os financiadores do projeto durante quatro anos. Hoje, o Clube de Leitura da Socioeducação do Paraná, que acopla a Cadeia Pública Feminina de Londrina, também é mantido pelo Ministério Publico do Trabalho, que realiza a compra de 891 livros distribuídos para todas unidades”.
Por dentro do clubinho
Como jornalista convidada, pude participar de algumas edições do Clube de Leitura do Cense, incluindo aquela que recebeu o escritor Laurentino Gomes e na qual foi debatido o livro Escravidão.
Na oportunidade, um adolescente questionou: “Por que falar do negro da escravidão e não do que ele tem de melhor?”. Gomes argumentou que não podemos nos furtar de encarar um período histórico que nos forjou como sociedade e reflete ainda hoje.
“São da África o sofrimento e a dor da escravidão, mas também o sorriso. A música, a beleza do Brasil têm muito a ver com a África. Mas seria um processo de autoengano meu falar só da beleza e fingir que não aconteceu a escravidão”, pontuou ele aos ouvintes majoritariamente pardos e pretos.