Um adolescente de 14 anos morreu durante uma ação da Polícia Militar na tarde desta quinta-feira (14), na Rua Equador, em Cambé, na Região Metropolitana de Londrina. A vítima foi identificada como Luan Henrique dos Santos Leite. Segundo a versão divulgada pela PM, Luan pilotava uma motocicleta levando outro adolescente, também de 14 anos, na garupa. Os policiais teriam tentado abordar a dupla, que fugiu, dando início a uma perseguição.
Ainda de acordo com a corporação, os dois adolescentes teriam parado a moto durante a fuga. O garoto que estava na garupa teria se jogado ao chão e se rendido, enquanto Luan teria apontado um revólver calibre 38 contra os policiais. Os agentes afirmam que reagiram à suposta ameaça e atiraram contra o adolescente, que morreu no local.
O outro menino foi encaminhado à Santa Casa de Cambé.
Um vídeo registrado por câmera de segurança de um comércio da região mostra pessoas correndo pela rua enquanto é possível ouvir uma sequência intensa de disparos. As imagens circulam nas redes sociais e devem integrar a apuração do caso.
A avó de Luan, Marilene Maria da Silva, contestou a versão apresentada pela PM e afirmou que o neto foi executado.
“Não foi um confronto, foi uma execução. Eles executaram uma criança de 14 anos”, declarou em entrevista ao jornal Plural.
Segundo ela, o adolescente nunca teve passagem pela polícia, não usava drogas e era estudante. “Era um menino bom, carinhoso, que passava muito amor para a gente. Todo mundo gostava do Luan”, afirmou.
Marilene disse ainda que o neto “jamais relou a mão em uma arma” e que ele teria fugido ao avistar a polícia por medo. “Hoje em dia a polícia não transmite segurança, transmite pavor. Eles correram porque ficaram assustados”, declarou.
A avó também afirmou que testemunhas relataram que o adolescente teria corrido com as mãos erguidas após cair da moto. “Ele saiu correndo com a mãozinha erguida para cima. Não tinha arma”, disse.
Cidade de cerca de 110 mil habitantes colada a Londrina, Cambé registrou 13 mortes em ações policiais no ano passado. Desde 2017, segundo dados do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, 62 pessoas morreram em intervenções das forças de segurança no município.