Paranaguá - Depois da primeira denúncia de assédio sexual ganhar repercussão em Paranaguá, no Litoral do Estado, uma outra servidora pública se sentiu encorajada a fazer o mesmo. Ainda dentro da Prefeitura de Paranaguá, uma nova denúncia chegou até a 1° Subdivisão Policial da cidade.
Desta vez, a situação foi na Secretaria Municipal de Educação (Semedi). Uma funcionária comissionada esteve na Delegacia de Paranaguá, na tarde desta segunda-feira (26), para registrar o crime de assédio sexual contra outro servidor, um motorista que atuava no mesmo setor.
A vítima, acompanhada de sua advogada, relatou que os atos ocorreram em abril de 2025 e envolveram mensagens de cunho sexual explícito e ofensivo, além de importunação sexual.
“Eu fui nomeada para um cargo na gestão atual e, logo após, comecei a sofrer abordagens inapropriadas por parte desse motorista. Ele fazia comentários sugestivos e insistia em se aproximar de mim, mesmo após eu ter deixado claro que não estava interessada”, afirmou a vítima.
À denúncia, foram anexados prints de conversas por aplicativo de mensagens, que corroboram as alegações da vítima. A servidora relatou o ocorrido à coordenadoria e registrou um protocolo, mas alega que o processo não foi levado adiante. A servidora alega ter sido orientada a não prosseguir com as denúncias na âmbito policial e jurídico.
“Tiraram ele do setor, mas posteriormente ele foi readmitido. Isso abalou a minha dignidade, minha autoestima. Fui tratada como a culpada de toda a situação”, disse.
Na segunda quinzena de janeiro deste ano, a vítima foi informada pelo secretário de educação, Thiago Nascimento, que não fazia mais parte da equipe de trabalho da Semedi, nem da Prefeitura de Paranaguá. Ao solicitar o número do processo administrativo por assédio para acompanhar o andamento, foi informada que não havia um.
A servidora pede justiça e transparência no caso. “Quero que o processo seja aberto e que o agressor seja punido. Não quero que outras mulheres passem por isso”, afirmou. O caso está sendo investigado pela Delegacia da Mulher de Paranaguá.
Crime que se repete
O caso foi registrado após a primeira denúncia de mesmo crime ganhar repercussão na cidade, no último final de semana.
Uma servidora pública em estágio probatório denunciou o chefe de gabinete da Prefeitura de Paranaguá por assédio sexual. De acordo com a vítima, o acusado enviou mensagens inapropriadas e fez convites para encontros a sós, sugerindo favorecimento no trabalho.
A situação começou após as eleições municipais de 2024, com o acusado seguindo a servidora em aplicativo nas redes sociais e enviando mensagens no WhatsApp. Após recusar as investidas, a vítima alega ter sofrido perseguições no trabalho e avaliações de desempenho reduzidas.
O caso também está sendo investigado pelas autoridades policiais e pode resultar em processo administrativo e responsabilização judicial.