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Atlas da Violência: Paranaguá é a cidade mais violenta do Estado

Mesmo com o índice em queda, o município ainda é o mais violento do Paraná. Um contraste direto com a capital, Curitiba, considerada uma das mais seguras do país.

vista aérea de paranaguá
A posição de Paranaguá no ranking nacional acende um alerta por ser atípica no Estado| Foto: Roberto Dziura Jr/ AEN
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Paranaguá, no litoral do Paraná, foi apontada como a cidade mais violenta do Estado, entre 30 municípios de todo o país. Os dados são do Atlas da Violência, uma divulgação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A cidade litorânea aparece com a expressiva marca de 50,7 assassinatos para cada 100 mil habitantes, o que concentra uma estimativa de 76 homicídios e desponta como a mais violento do Estado.

O dado coloca Paranaguá em contraste direto com outras regiões também consideradas violentas no Paraná. A média estadual é de 18,6 homicídios por 100 mil habitantes, quase três vezes menor que a registrada no município. Em Curitiba, por exemplo, a estatística de crimes com mortes é de 13,2 por 100 mil habitantes, representando uma das capitais mais seguras do Brasil.

Entre as mais, mesmo em queda

Apesar dos dados alarmantes, o município registrou um recuo expressivo em comparação as últimas análises. Nos últimos dados, houve uma queda de quase 50% nos homicídios em comparação com o período anterior.

Especialistas em segurança pública apontam que esses reduções costumam estar ligadas a ações coordenadas em âmbito federal e estadual, operações específicas contra organizações criminosas ou mudanças na dinâmica local do crime, contudo, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) ainda não detalhou quais medidas contribuíram para a queda registrada em Paranaguá. O município segue como ponto de atenção no mapa da violência estadual, com taxa que supera até mesmo a de muitas capitais.

Porto, aumento da violência

A posição de Paranaguá no ranking nacional acende um alerta por ser atípica no Estado. O Paraná tem histórico de taxas de homicídio abaixo da média nacional, e a presença de uma cidade portuária entre as mais violentas segue um padrão observado em outros levantamentos: municípios com portos tendem a enfrentar disputas ligadas ao tráfico de drogas e contrabando, fatores que pressionam os índices de criminalidade.

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Na última terça-feira (26), a Polícia Civil do Paraná (PCPR) realizou uma operação em 15 municípios de quatro estados do país para tentar frear a expansão da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no Paraná. De acordo com a polícia, 33 pessoas foram pressas, destas 7 já cumpriam pena no sistema penitenciário e as outras 26 foram capturadas durante a ação. Ao todo, foram cumpridos 74 mandados judiciais, sendo 40 de prisão preventiva e 34 de busca e apreensão. Os policiais contaram com apoio tático, cães farejadores e helicópteros.

Entre os presos estavam dois advogados, cujas identidades foram preservadas para não atrapalhar as investigações. De acordo com a polícia, ambos repassavam aos outros integrantes da organização criminosa informações obtidas dentro das unidades prisionais e colaboravam ainda com outras atividades do grupo. Durante a operação, a polícia também tentou localizar um homem suspeito de ordenar e executar homicídios em Curitiba e na Região Metropolitana.

Em Paranaguá, os agentes descobriram que uma servente terceirizada, que trabalhava na delegacia local, compartilhava dados sigilosos de investigações com a facção criminosa. Várias mensagens analisadas pela polícia mostram que ela repassava detalhes das apurações a membros da facção.

Ainda segundo a PCPR, parte do grupo já havia se instalado em Paranaguá e Pontal do Paraná para atuar no tráfico de drogas, principal objetivo de fixar a facção no estado. A operação segue em andamento e novas prisões não estão descartadas nos próximos dias.

Andresa Costa

Andresa Costa

Jornalista por formação, especialista em Comunicação Audiovisual - Cinema e Televisão. Já trabalhei como repórter em jornal impresso, rádio e TV aberta

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