O estado do Paraná mantém uma presença preocupante na mais recente atualização do cadastro de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas às de escravo, a chamada "Lista Suja" do Ministério do Trabalho e Emprego. O balanço revela que dezenas de nomes, abrangendo desde a produção rural de erva-mate e pecuária até o setor de construção civil urbana, permanecem sob monitoramento federal por violações graves aos direitos trabalhistas. A lista funciona como um registro oficial de infrações que, após o esgotamento de recursos administrativos, expõe a face da exploração em diversas cadeias produtivas do estado.
Embora o cadastro contemple empresas de diferentes portes e regiões, o caso que ganha maior relevância pública nesta atualização é o da R.B.O Participações Ltda, sediada em Maringá. A empresa foi incluída na lista após uma fiscalização na Fazenda Canaã, em Santa Inês, que constatou condições degradantes de trabalho. A gravidade dos fatos motivou a instauração do Inquérito Civil nº 000418.2024.09.001/8, conforme requisição nº 10.207.2024 do Ministério Público do Trabalho (MPT).
O impacto da denúncia, no entanto, ultrapassa os limites da atividade agropecuária: a R.B.O compartilha o mesmo núcleo de comando e o administrador central, Ricardo Benedito de Oliveira, com o Centro Universitário Uningá e o Hospital Memorial Uningá. A conexão entre uma mantenedora de ensino superior e uma empresa autuada por submeter trabalhadores a condições análogas às de escravo estabelece um contraste ético severo. Enquanto a Uningá atua na formação de milhares de profissionais em áreas fundamentais como Direito e Ciências Agrárias, cursos que têm como base o ensino da legalidade e da dignidade humana, sua cúpula administrativa figura no topo de um cadastro federal de violações trabalhistas. Essa estrutura de gestão compartilhada coloca a instituição de ensino no centro de um debate sobre responsabilidade social e governança ética.
A reportagem do Jornal Plural buscou o posicionamento oficial da R.B.O Participações, do Centro Universitário Uningá e do Hospital Memorial Uningá. Foram enviados questionamentos detalhados sobre a inclusão no cadastro federal e as medidas de reparação citadas no Inquérito Civil do MPT. Até o fechamento desta edição, não houve retorno por parte das instituições ou de seus representantes. O conteúdo da solicitação e a ausência de resposta foram registrados em respeito à transparência e ao interesse público, permanecendo o espaço aberto para manifestações futuras.