Na mesma semana em que o Governo do Paraná homologou o resultado do concurso público que prevê a contratação de 641 vagas novos servidores da saúde para a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) também publicou um novo edital, desta vez para contratação de 361 funcionários por meio do Processo Seletivo Simplificado (PSS), em caráter temporário. O andamento dos dois editais levantou questionamentos sobre a criação de um edital de temporários sem antes realizar a convocação dos já aprovados.
O edital nº 265/2025, que prevê a contratação de novos funcionários para compor o quadro da secretaria, foi publicado em dezembro de 2025, e as provas ocorreram em março deste ano, com a participação de 92 mil candidatos. O resultado da classificação foi publicado em 17 de junho.
No dia seguinte, em 18 de junho, foi lançado o Edital nº 001/2026 – Sesa, que iniciou os trâmites para a contratação emergencial, via PSS, de 361 trabalhadores para funções similares as previstas no concurso. Quatro dias depois, em 22 de junho, o chefe do Departamento de Recursos Humanos e Previdência da Secretaria de Estado da Administração e da Previdência (SEAP) homologou o resultado do concurso aplicado em março.
De acordo com o edital nº 001/2026, a justificativa para a contratação temporária seria a necessidade de recompor vagas abertas em razão de aposentadorias e falecimentos.

Segundo o Sindicato das trabalhadoras e trabalhadores do serviço público da Saúde e da Previdência do estado do Paraná (SindSaúde-PR), se existe a necessidade de recomposição do quadro de servidores e há um concurso vigente com profissionais aptos a assumir as funções, não há justificativa plausível para a contratação de trabalhadores temporários.
O sindicato está se organizando para cobrar do governo que a recomposição dos quadros da Sesa seja feita exclusivamente por meio das convocações do concurso homologado em 22 de junho.
O Plural procurou a Sesa para saber se a continuidade do PSS não afetará a nomeação dos candidatos aprovados no concurso público e se a secretaria pretende realizar a contratação dos servidores aprovados antes da contratação via PSS.
Em nota a Sesa informou que os “processos são complexos e envolvem inúmeras etapas até a nomeação. A recente homologação do concurso público representa a conclusão da etapa de seleção dos candidatos aprovados, mas ainda não produz, de forma imediata, o provimento dos cargos, nem o ingresso instantâneo dos servidores em exercício”.
A secretaria também informou que “considerando a natureza essencial dos serviços de saúde e a necessidade de assegurar a continuidade da assistência à população, a realização de Processo Seletivo Simplificado, que, como o nome informa, é bem mais rápido, constitui medida de caráter temporário e excepcional, destinada exclusivamente ao atendimento de demandas imediatas de pessoal até que todos os convocados do concurso estejam aptos”.
Ainda nota ainda diz que “esse é um processo natural e que está dentro do planejamento estratégico da Secretaria de Estado da Saúde. Esse reforço só mostra como a pasta é prioridade na gestão. O Governo do Estado destinou R$ 2,9 bilhões para a área nos primeiros quatro meses de 2026, o que representa 15,01% da Receita Líquida de Imposto e supera o mínimo constitucional exigido por lei, que é de 12%”.
