O Gastronomix, braço que une música e gastronomia na programação do Festival de Curitiba, vai até este domingo (30), das 11h às 18h, na Universidade Positivo. Além das atrações musicais no palco e de uma feirinha de produtos, é claro, dá para aproveitar para fazer um belo passeio guiado pelo paladar durante o evento.
O menu deste ano tem sabores de Florianópolis - SC, Rio de Janeiro - RJ, Maceió - AL, Witmarsum - PR e muitos de Curitiba – que nem sempre a gente conhece ou sequer pensou em provar, mesmo morando aqui. Então, parti para o Gastronomix com a missão de provar algo que normalmente não estaria no meu prato.
Antes de chegar, eu já tinha espiado o cardápio e dei de cara com uma coxinha. A iguaria é uma daquelas que exala brasilidade e ocupa um lugar lá no topo da preferência nacional, sempre circula nos aniversários e balcões de lanchonetes, é presença certa nas feirinhas gastronômicas e botecos, e também já roubou a cena de outros pratos. (Você já provou a tal pizza de coxinha?) Porém, não sou dada a salgados em geral. Sou a chata que torce o nariz evitando abocanhar esse petisco por uma questão de gosto e porque, ao longo dos anos, frituras passaram para a categoria de alimentos que precisam ser muito bem feitos e consumidos em quantidade moderada, ou não caem bem.
Bom, cheguei no Gastronomix e fui direto para a barraca do Curry Pasta, onde o Chef Rafael Lafraia montava e servia cuidadosamente o Ravioli de Pêra (com flor de anis, creme de parmesão, crocante de castanha de caju, especiarias e tomilho). Outro rapaz da equipe trazia ao balcão os pratinhos montados a partir de uma base parecendo uma geleia de cor viva entre amarelo e laranja, com três unidades da dita cuja em cima, quase douradinhas. No diagnóstico visual, a Coxinha de pernil com especiarias servida com chutney de manga (R$ 35,) parecia interessante.
Já na primeira bocada, notei que mordi a língua enquanto minhas certezas iam embora. É, dá para fazer salgado frito sem ficar empapado, crocante por fora e sem a massa parecer crua ou pesada dentro. Tá, mas o que me ganhou junto com a textura foi a criatividade que deixou o sabor maravilhoso. Não é só um petisco, é uma iguaria.
Lafraia, simpático e com um sorriso no rosto, veio me contar a história da coxinha nada conservadora que levou para o evento. O prato nasceu quando o Chef aceitou um convite para participar de um festival só de coxinhas, há quatro anos. Na época, após dois anos de vida em feirinhas e delivery, o Curry Pasta completava seu primeiro aniversário com salão para receber os clientes. O sucesso foi tanto que a ideia entrou no cardápio da casa e, atualmente, a entrada é a mais pedida no restaurante. (Pelo visto, minha opinião sobre o salgado não é novidade.)
“Os italianos que me perdoem”
Eu quis saber o segredo desta coxinha. E o chef topou me contar. O nome do restaurante é Curry Pasta porque a proposta é colocar uma mistura de gastronomia da Índia com Itália nos pratos autorais. Pelo menos uma das inspirações está sempre presente. “O chutney de manga é muito indiano e a gente colocou mais outra referência indiana, um grupo de nove especiarias bem aromático no pernil. Ele cozinha com as especiarias até desfiar. E a coxinha é brasileira, então tem Brasil e Índia nesse prato, e não tem nada de Itália. Os italianos que me perdoem", explica ele.
Para quem vier ao Gastronomix e quiser repetir a iguaria depois do evento, além de servida no restaurante, a coxinha pode ir até você. Ela está no Ifood, contudo quem prefere fugir dos grandes marketplaces para valorizar os trabalhadores e empreendedores locais, pode pedir pelo serviço de delivery do próprio Curry Pasta. “O sistema próprio é melhor, para o restaurante e para o entregador, para toda a cadeia produtiva na verdade. Então, eu tento ser cada vez mais independente”, fala Lafraia. (Confira aqui as características e o preço do prato no restaurante e para entrega.)
Segredo para você fazer coxinha em casa
Para encerrar o papo, ele topou revelar um segredo para quem quer deixar a coxinha feita em casa parecida com a assinada pelo chef. Papel e caneta na mão?! Pode anotar:
“Para quem quer uma coxinha bem crocante, muito crocante, maravilhosamente crocante como a que a gente faz, uma boa dica é que o empanamento da coxinha é muito importante, tem que pensar nele com mais carinho. Eu, antes de empanar na farinha de rosca, faço uma mistura de um pouquinho de trigo com água, tempero ela, e passo a coxinha nessa mistura pra depois empanar na farinha panko.
A farinha panko é japonesa, é uma farinha de pão mais grossa. Mas dá para fazer com uma farinha de rosca mais grosseira e fica tão legal quanto, também terá essa mordida de pedaços maiores.”
Gastronomix 2025
Datas: até 30/03
Horários: Sexta 17h às 22h; Sábado e domingo das 11h às 18h
Local: Universidade Positivo / UP Experience / Sala de Eventos
Valores Pratos: R$25,00 a R$35,00 Valor do ingresso:
Sexta: Happy Hour – Entrada Livre – Ingressos no sympla: https://www.sympla.com.br/evento/happy-hour-gastronomix/2831012
Sábado e Domingo: Inteira R$20,00 Meia R$10,00 + Taxas. Vendas: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).