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Família de Marcelo Arruda realiza ato após Justiça permitir prisão domiciliar de Guaranho

Ato aconteceu na praça da Paz, região central da cidade

Família de Marcelo Arruda realiza ato após Justiça permitir prisão domiciliar de Guaranho
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Na manhã deste domingo (16) a família do guarda municipal Marcelo Arruda, morto em junho de 2022 por Jorge Guaranho, realizou um protesto, após a Justiça do Paraná permitir que o assassino cumpra a pena em regime de prisão domiciliar.

Após um júri de três diz, o assassino foi condenado a 20 anos de cadeia, inicialmente em regime fechado. Contudo, ele ficou apenas um dia preso após a condenação e, por força de um habeas corpus deferido pelo desembargador Gamaliel Seme Scaff, pôde ir para casa.

O desembargador sofreu duras críticas após a decisão e publicou uma nota na qual diz que o assassino continua preso, ainda que em casa, e que o Complexo Médico Penal de Pinhais não tem condições de mantê-lo sob custódia. “O réu tem estado sujeito a cirurgias múltiplas, tendo já se submetido a cirurgia bucomaxilofacial e fonoaudiologia necessitando de ser acompanhado para todas as necessidades. O CMP (Complexo Médico Penal) tem feito o que pode e o que não pode pelos internos que para lá são remetidos, mas para tudo há limite de recursos e possibilidades. E nesse sentido, já houve mais de uma manifestação por parte do competente corpo clínico e administrativo nos autos, dando notícia de que o caso do réu (...) demanda atendimento e acompanhamento incompatível ao CMP, conforme é exemplo o seguinte despacho exarado pela divisão clínica e cirúrgica daquele CPM”, diz um trecho do texto.

Júri

Jorge Guaranho invadiu a festa de aniversário da vítima, que completava 50 anos, e com gritos de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) discutiu com o guarda municipal antes de deixar o local.

O assassino soube que o tema da festa de Marcelo Arruda fazia alusão ao Partido do Trabalhadores (PT), do qual era tesoureiro em Foz do Iguaçu, depois que acessou as câmeras de segurança do local por meio de um terceiro.

https://www.plural.jor.br/noticias/vizinhanca/juri-diz-que-motivacao-foi-politica-e-juiza-condena-guaranho-a-20-anos-de-prisao/

Depois da discussão com a vítima, Guaranho foi para casa, deixou a esposa e o filho, e, armado, retornou ao local, onde cometeu o crime. Ele também foi atingido, mas foi socorrido e preso após se recuperar.

O júri entendeu que Guaranho era culpado por homicídio duplamente qualificado após três dias de argumentação da defesa e da acusação.

Guaranho saiu do Tribunal do Júri em Curitiba em uma viatura da Polícia Militar (PM) diretamente para o CPM, mas no dia seguinte conseguiu o direito de ir para casa e usar tornozeleira, apesar da condenação.

Reação

Centenas de pessoas indignadas usaram as redes sociais para criticar a decisão do desembargador Gamaliel Seme Scaff, que segue vários perfis bolsonaristas em seu Instagram. Outras comentaram postagens de veículos de comunicação, questionando a parcialidade da Justiça.

Em Foz do Iguaçu, onde residia a vítima, familiares e amigos que comemoravam a condenação de Guaranho um dia antes, tiveram de retomar as faixas nas mãos e se reuniram na praça da Paz para cobrar justiça.

“Eu estou aqui na minha casa, no conforto do meu lar, mas eu não tenho o meu pai e nunca mais eu vou ter. Mas o filho do Guaranho vai ter. Então, se ele (Guaranho) precisa de tratamento médico, o Governo tem a missão de atender. E existe um local para isso, que é o Complexo Médico”, lamentou um dos filhos da vítima, Leonardo Arruda.

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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