O evento, que acontece no dia 01/11, vai reunir praticantes e simpatizantes das religiões de matriz afro-ameríndias para um ato contra a intolerância e o fortalecimento dos povos de terreiro da capital.
No dia 01 de novembro, às 14h, Curitiba receberá a Caminhada para os Orixás contra a Intolerância Religiosa. O evento, que terá como local de concentração a Praça Tiradentes, é uma iniciativa da vereadora Giorgia Prates (PT) em parceria com lideranças de terreiro, ONGs e voluntários.
Há meses esse movimento vem sendo construído. Duas reuniões aconteceram desde então e nelas foram definidos os detalhes da Caminhada. Giorgia destaca que a Caminhada nasce de uma escuta profunda, de demandas reais e de um compromisso político com quem tem seus direitos negados todos os dias.
“A Caminhada para os Orixás nasce desse encontro, dessa força que se soma quando o povo de terreiro decide andar lado a lado. Aqui o chamado é outro — é o chamado do povo de axé que cansou de ser silenciado. Curitiba já tem uma história de atos nas ruas contra a intolerância religiosa, e isso jamais pode ser ignorado”, diz a vereadora.
Ela ressalta também que o evento será um marco simbólico da negritude para trazer as religiões de matriz afro-ameríndias ao centro do debate, contemplando as discussões que costumam ocorrer durante o mês da Consciência Negra e fazem parte também de um conjunto de iniciativas de seu gabinete.
“Tenho atuado em várias frentes para garantir direitos dos povos de terreiro: desde o enfrentamento às dificuldades de liberação de alvarás, à luta com a Cabana Pai Tomé e Mãe Rosária de Aruanda, até o reconhecimento das contribuições dos povos tradicionais e de terreiro no Plano Diretor de Curitiba — conquista histórica junto ao IPPUC. Além disso, estou propondo o reconhecimento das religiões de matriz afro-ameríndias como patrimônio imaterial cultural da cidade”, revela.
Essa é uma caminhada que foca nas religiões de matriz afro ameríndias. Então além da intolerância, existe o aspecto da luta contra o racismo. Não é a primeira iniciativa do tipo em Curitiba, em 2019 aconteceu um evento semelhantes que se estendeu por pelo menos três edições.
Mas, e a Marcha para Exú?
No início de setembro, o Plural revelou que Curitiba se preparava para realizar uma Marcha para Exú, evento que começou em São Paulo e teve edições em outras grandes cidades do país.
Questionada se o evento havia mudado de nome, a vereadora Giorgia disso que a Caminhada é uma iniciativa distinta e não se trata de algo nos moldes de São Paulo. “Não se trata da mesma coisa, e não devemos confundir para não desrespeitarmos os reais motivos pelos quais a caminhada vai acontecer. Essa caminhada não tem a ver com a Marcha para Exu, que tem seu dono e um outro propósito - e que também deve ser respeitada. Não é sobre uma patente, é sobre abrir caminhos com uma construção sólida e repleta de coletividade. No axé, Exu abre, Ogum defende, Oxóssi guia, Oxum acolhe, Iansã move, Xangô faz justiça, e todos os orixás caminham juntos. Não é sobre o nome, é sobre a vida”, completou.
O “dono” da Marcha para Exú ao qual a vereadora se refere é Jonathan Pires. Ele é Babalorixá de São Paulo e o idealizador da Marcha para Exu, que aconteceu pela terceira vez na capital paulista no último dia 17/08. Ele participa também da organização em outras cidades, já que sem ele o evento não acontece, pelo menos não com o mesmo nome.
Pires patenteou o nome “Marcha para Exu” e para utiliza-lo organizadores de outras cidades precisam estar sob os olhares do Babalorixá. Ao Plural, ele ressaltou que o objetivo de patentear o nome é porque a Marcha “não é uma festa, não é um bloco de rua e muito menos um produto a ser usado de qualquer jeito”.
Ele argumenta que o evento é um movimento histórico, carregado de fé, responsabilidade e luta e que acima de tudo é independente, por isso a necessidade de patenteá-la. “Registrar foi uma forma de proteger o nome e a essência dela, para que não seja usado por pessoas ou grupos com outros interesses, seja político, financeiro ou religioso. Quem viveu sabe: a Marcha nasceu independente e é assim que precisa.
Número de praticantes de religiões de matriz africana cresceu em Curitiba
Segundo dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os praticantes das religiões afro-brasileiras umbanda e candomblé em Curitiba somam 21.242 pessoas. Este número mostra que aumentou a percentagem dos umbandistas e candomblecistas na capital, que eram 4.593 (0,26%) em 2010 e 3.526 (0,22%) em 2000.
No estado do Paraná, umbandistas e candomblecistas eram 7,6 mil há 15 anos, passando para 58,5 mil no último recenseamento demográfico.