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Erika Hilton processa Ratinho por fala transfóbica e pede indenização de R$ 10 milhões

Deputada foi atacada no dia em que foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara

Erika Hilton processa Ratinho por fala transfóbica e pede indenização de R$ 10 milhões
A deputada federal Erika Hilton e o apresentador Ratinho / Fotos: Matheus Alves/Divulgação e reprodução

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Ministério Público de São Paulo (MPSP) após uma fala transfóbica do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, em seu programa no SBT. Ela solicitou o pagamento de uma indenização no valor de R$ 10 milhões, que serão destinados a mulheres vítimas da violência.

Na noite desta quarta-feira (11 de março), Ratinho criticou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Ela foi eleita horas antes e destacou a necessidade de combate ao discurso red pill na internet e regulamentar as redes sociais.

"Ela não é mulher, ela é trans. Eu não tenho nada contra trans. Mas se tem outras mulheres, mulher mesmo... mulher pra ser mulher tem que ser mulher, gente", disse Ratinho em seu programa. "Eu até respeito todo mundo que que tem comportamento diferente, tá tudo certo pra mim. Agora, mulher pra ser mulher tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias". Ele disse ainda que "mulher não tem saco" em referência a Pabllo Vittar.

Nas redes sociais, Erika Hilton confirmou que está processando o apresentador e afirmou que ele cometeu uma violência contra todas as mulheres cis que não menstruam, não têm útero ou não têm filhos. "Este ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis que não menstruam mais ou nunca menstruaram", afirmou a deputada. Segue a publicação de Erika Hilton:

Sim, estou processando o apresentador Ratinho.

Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência.

Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim.

The Curitiba occupation shelters women experiencing violence.
Learn about Casa Enedina Marques: an occupied building in Curitiba that shelters women experiencing violence

Ratinho interrompeu seu programa pra dizer que mulheres trans não são mulheres, que mulheres que não menstruam não são mulheres, que mulheres que não têm útero não são mulheres e que mulheres que não têm filhos não são mulheres.

Este ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis que não menstruam mais ou nunca menstruaram.

Foi contra todas as mulheres cis que nunca tiveram útero ou, por condições de saúde, como o câncer, precisaram removê-lo.

Foi contra todas as mulheres que não podem ou não querem ter filhos.

Foi contra as mulheres que perderam seus filhos ainda na gestação.

O discurso de Ratinho foi, sim, para me atacar e atacar as pessoas trans. Mas demonstrou a misoginia, o ódio primal que essa figura nojenta tem de toda e qualquer mulher que não siga o roteiro que ele considera certo.

E, para ele, mulheres são máquinas de reprodução.

Eu quase me surpreendi ao assistir a um raciocínio tão retrógrado.

Mas aí lembrei das notícias reportando que, em 2016, 128 anos depois da abolição da escravatura, Ratinho submetia pessoas à escravidão em suas fazendas no Paraná.

E o apresentador pode até querer viver nesse passado, dentro de sua cabeça. Se a preocupação com as denúncias que farei contra um escândalo envolvendo o seu filho e o crime de estupro de vulnerável mais tarde não ocupar toda a sua capacidade cerebral, é claro.

Mas aqui fora, no mundo real, ele e o SBT pagarão pelos seus atos, na esfera cível e criminal. E eles não pagarão a mim, mas a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis.

Por fim, vale lembrar: eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato.

A deputada Duda Salabert (PDT-MG) anunciou que também vai processar Ratinho. "É revoltante esse apresentador vomitar em rede nacional transfobia. Essas falas criminosas contra a Deputada Érika Hilton assumem uma dimensão coletiva e atacam toda comunidade de travestis e transexuais. Acionei o Ministério público e processarei esse criminoso".

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