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Empresas de transporte pedem suspensão de licitação e cálculo de dívida da Prefeitura

A publicação do edital está marcada para o dia 27 mês, na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo

Empresas de transporte pedem suspensão de licitação e cálculo de dívida da Prefeitura
Publicação do edital da nova concessão está prevista para o dia 27 de abril. Foto: Luiz Costa/SMCS
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O Sindicato das Empresas de Transporte Público de Curitiba (Setransp) entrou na Justiça para pedir a suspensão da licitação do transporte público de Curitiba. A publicação do edital está marcada para o dia 27 mês, na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. A entidade solicitou a continuidade dos estudos técnicos para apurar se a Prefeitura ainda deve às empresas.

Segundo o advogado do Setransp, Edgar Guimarães, na primeira etapa dos estudos foi identificado um passivo de R$ 600 milhões.

"As empresas não são contra a licitação. O que elas estão pleiteando na ação é a conclusão dos estudos da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que foi contratada pelas empresas e pela Urbs para avaliar se existe algum passivo a ser pago pelo município às empresas", disse Guimarães ao Plural.

"Esses estudos demandariam três etapas. A primeira etapa foi feita e chegou-se a um número aproximado de R$ 600 milhões que o município deve para as empresas. Mas, para a conclusão desses estudos, ainda tem uma segunda e uma terceira etapa, que a Urbs não autorizou a dar continuidade".
Edgar Guimarães, advogado do Setransp

Até esta sexta-feira (17 de abril), a Prefeitura não havia sido notificada a respeito da ação.

Em nota, o Setransp informou que os estudos técnicos são previstos no termo aditivo firmado entre a Prefeitura e as 11 empresas que operam atualmente no sistema. O acordo incluiria ainda "a apuração e renegociação do passivo regulatório e a análise dos benefícios desse processo".

Contrato prorrogado

A atual concessão do transporte coletivo de Curitiba foi prorrogada por até dois anos em agosto do ano passado (o prazo de 15 anos e terminou em setembro de 2025). A Prefeitura se comprometeu a manter a tarifa em R$ 6 até o fim dos contratos e a contratação das novas concessionárias.

A nova modelagem foi apresentada em setembro de 2025 pelo prefeito Eduardo Pimentel (PSD). A previsão é investir cerca de R$ 3,7 bilhões em 15 anos. O leilão deverá ter cinco lotes – dois de BRTs (linhas que circulam em canaletas) e três regionais (Norte, Sul e Oeste).

No início do mês, a Prefeitura prorrogou o contrato com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que está coordenando a nova concessão. O aditivo foi publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (1º de abril) e tem validade de um ano a partir de 13 de outubro – o que indica que o processo de estruturação ainda não foi concluído. Em setembro, a previsão era de publicar o edital em novembro e realizar o leilão em janeiro.

No dia 7 deste mês, a vereadora Laís Leão (PDT) protocolou um pedido de informações sobre a prorrogação. Ela questionou quais são os motivos técnicos, jurídicos e administrativos dos atrasos na publicação do edital e na realização do leilão, e qual o cronograma atualizado; quais são os termos da prorrogação do contrato com o BNDES; e qual o plano de ação para garantir a continuidade do serviço de transporte coletivo durante o período de transição. A Prefeitura tem o prazo de 15 dias úteis, prorrogáveis por mais 15, para responder.

Nota do Setransp

Segue a nota enviada pelo Setransp:

O Setransp informa que ingressou com medida judicial solicitando a continuidade dos estudos técnicos que tem por objeto avaliar a alternativa mais vantajosa aos passageiros, considerando os cenários de renovação dos contratos de concessão vigentes e nova licitação.

O pedido implica a necessária suspensão do procedimento licitatório anunciado para a data do dia 27/04, já que divulgado sem a conclusão dos estudos técnicos previstos em termo aditivo firmado entre as partes, que incluem a apuração e renegociação do passivo regulatório e a análise dos benefícios desse processo.

Sem esses estudos, a Prefeitura não tem condições de avaliar, com base em dados técnicos, qual modelo é mais vantajoso para a população, considerando, dentre os cenários mencionados, o tempo estimado para viabilizar novos investimentos, o volume de recursos públicos necessários à quitação do passivo regulatório existente, o valor da tarifa a ser praticada e o volume de dependência dos subsídios que serão devidos pela Prefeitura, e, o mais importante, a qualidade do serviço a ser ofertada ao passageiro.

A necessidade de retomada urgente dos estudos também considera evitar o dispêndio de recursos públicos. Isso porque estes foram iniciados por meio de grupo de trabalho conjunto (entre Urbs e os consórcios que operam o sistema), assessorado por um verificador independente (Fipecafi), cuja contratação se deu mediante o compartilhamento de custos com o poder público, mas que não tiveram continuidade nas etapas essenciais para a tomada de decisão da Urbs.

O Setransp reforça que não é contrário à licitação. A medida busca assegurar o cumprimento do que foi acordado e a avaliação dos resultados desses estudos antes da definição sobre o futuro do sistema de transporte coletivo da cidade.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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