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Empresa que administra escola terceirizada recebeu R$ 6 milhões sem prestar contas, diz deputada

Segundo a deputada Ana Júlia, contrato do governo de Ratinho Júnior com a empresa que administra o Colégio Anita Canet não prevê prestação de contas

Empresa que administra escola terceirizada recebeu R$ 6 milhões sem prestar contas, diz deputada
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A empresa Apogeu Mágico, que administra o Colégio Anita Canet, em São José dos Pinhais, recebeu R$ 6 milhões do governo do Paraná sem prestar contas, denunciou a deputada estadual Ana Júlia (PT). A parlamentar fez um requerimento à Secretaria de Estado da Educação (Seed) solicitando informações sobre a aplicação dos recursos, mas recebeu como resposta apenas o total repassado à empresa. Segundo Ana Júlia, o contrato assinado com o governo do estado não prevê a prestação de contas.

O Colégio Anita Canet foi um dos escolhidos pelo governo de Ratinho Júnior (PSD) para integrar o projeto-piloto do programa Parceiro na Escola, que prevê a terceirização da gestão de 204 estabelecimentos. O outro é o colégio Anibal Khury, em Curitiba. As terceirizações das duas escolas foram feitas por meio de decreto, em dezembro de 2022, sem passarem pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), e têm uma série de problemas administrativos, segundo auditoria feita pela 2ª Inspetoria de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado Paraná (TCE).

Na sessão da última terça-feira (5), Ana Júlia anunciou que faria um novo requerimento, solicitando detalhes sobre a aplicação dos recursos. “Vou protocolar um novo, sendo mais específica. Queremos saber quais as contrapartidas da empresa em relação ao contrato milionário, quais as obras, quais contratações e benfeitorias, a quantidade de uniforme e alimentação que elas compraram e a discriminação dos valores pagos pelo estado”.

Ana Júlia disse que os gastos terão que ser discriminados com base na Lei de Concessões Públicas, já que o contrato não prevê a prestação de contas.

“Não dá para a empresa mostrar onde gastou os recursos porque não há previsão no contrato. Que belo contrato o governo fez com essa empresa, não obriga nem a prestação de contas. Mas está previsto na Lei de Concessões Públicas. É obrigação da empresa”. 

Ana Júlia, deputada estadual

Segundo a deputada, a Seed informou que repassou merenda para a escola, atribuição que, pelo contrato, caberia à empresa. “A Seed coloca no contrato que no caso de fazer uma grande reforma estrutural, quem vai fazer é a Seed. Se essa privatização é para pintar muro e trocar lâmpada, eu quero entender como se gastam R$ 6 milhões”.

O projeto que prevê a terceirização de 204 escolas foi aprovado no início de junho pela Alep. Os deputados da base de apoio a Ratinho Júnior argumentaram que a ideia era “liberar os diretores para cuidar de questões pedagógicas” e que as contratações seriam transparentes, mas o projeto sequer deixou clara a forma de seleção das empresas, nem os valores que seriam pagos. Na mesma semana em que o projeto foi aprovado, a Seed tornou sigilosos todos os atos da pasta.

Irregularidades

A 2ª Inspetoria do TCE-PR constatou sete irregularidades na administração dos colégios Anita Canet e Anibal Khury: uso indevido da modalidade Credenciamento; ausência de dotação orçamentária específica para o projeto; ausência de Estudo Técnico Preliminar; ausência de detalhamento dos custos na formação dos preços; exigência de capacidade técnica acima do limite de 50%; falta de justificativa quanto à exigência da nota do Enem como requisito para a capacidade técnica; e falta de atuação das instâncias de controle interno.

Na semana passada, o deputado Professor Lemos (PT) protocolou uma representação para suspender a implementação do programa. De acordo com Lemos, as terceirizações envolvem um orçamento de R$ 220 milhões, valor remanejado sem dotação específica, o que desrespeita a Lei Orçamentária.

Já o deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR) entrou com uma ação para pedir a suspensão da consulta à comunidade, que teve sua regra alterada pelo governo. O projeto aprovado em junho prevê que a comunidade escolar será consultada sobre a adesão ao programa, mas um decreto do governo estabeleceu que, caso o comparecimento de pessoas aptas a votar seja inferior ao determinado pela Seed, a terceirização ficará a cargo da própria Secretaria. Em setembro, matéria do Plural mostrou que a Seed vem usando canais oficiais para fazer campanha pela aprovação do programa pela comunidade escolar.

A terceirização de escolas já teve derrotas em São Paulo e em Minas Gerais. Em São Paulo, o juiz Luís Manuel Fonseca Pires, da 3ª Vara da Fazenda Pública, entendeu que não há como dissociar a administração do espaço físico dos aspectos pedagógicos e concedeu uma liminar para suspender o processo. Em Minas Gerais, o Tribunal de Contas do Estado barrou um edital do governo de Romeu Zema (Novo) que credenciaria organizações da sociedade civil para gerir as escolas.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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