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Oposição promete resistir a escolas cívico-militares em Maringá

Prefeitura de Maringá anunciou que irá fazer uma consulta à população e à comunidade escolar da cidade para uma possível implementação do modelo cívico-militar

Oposição promete resistir a escolas cívico-militares em Maringá
Vereadora Ana Lúcia: contra as cívico-militares. Foto: Reprodução

A bancada de oposição ao prefeito Silvio Berros (PP) começa a se organizar para impedir que escolas municipais de Maringá sejam militarizadas. Além de contestar em plenário na Câmara Municipal a proposta de adotar o regime cívico-militar, os vereadores de oposição cogitam ir à Justiça contra a ideia.

Na semana passada, a Prefeitura de Maringá anunciou que irá fazer uma consulta à população e à comunidade escolar da cidade para uma possível implementação do modelo cívico-militar, semelhante àquele que hoje existe em escolas estaduais. O governador Ratinho Jr (PSD) implantou o modelo em 345 colégio paranaenses, formando aquela que hoje é a maior rede do gênero no país.

De acordo com a Prefeitura, o modelo está sendo estudado, entre outras razões, porque pais e famílias estariam procurando a Secretaria Municipal de Educação para propor a ideia. No modelo que entra em estudo, policiais militares aposentados cuidam da gestão da escola, ao passo que as atividades pedagógicas continuam nas mãos de profissionais da educação.

No plenário e na Justiça

A vereadora Professora Ana Lúcia, do PDT, afirma que a implementação de escolas cívico-militares para crianças seria um erro ainda maior do que o cometido pelo Governo do Estado, que usa o sistema em colégios que cuidam da segunda metade do Ensino Fundamental (a partir do sexto ano) e do Ensino Médio, que é frequentado por adolescentes.

"Não faz o menor sentido colocar policiais militares para atender crianças de seis anos de idade", diz ela, em referência às crianças que entram no Ensino Fundamental I, responsabilidade do município. "São pessoas que não têm o menor conhecimento de pedagogia, que não estão preparadas para tratar com crianças pequenas", afirma a vereadora.

A vereadora afirma que a opção por militarizar as escolas é, em parte, decorrente de uma "terceirização" da educação de valores para a escola. Sobrecarregadas com o trabalho, as famílias nem sempre conseguem cuidar de aspectos que tradicionalmente cabiam a elas, e esperam agora que a escola "discipline" seus filhos.

Embora a oposição ao prefeito seja minoritária na Câmara, contando com apenas quatro dos 23 votos, a vereadora diz que haverá resistência em plenário e também fora dele. "Estamos conversando com os deputados estaduais que impetraram uma ação contra as cívico-militares do Governo e vamos usar os mesmos argumentos na Justiça", afirma ela.

Justificativa falsa

Vereador pelo PT, Mário Verri também se posicionou contra as cívico-militares. "Essa proposta é muito mais uma solução espetaculosa e midiática do que uma resposta real", afirma. "A declaração da secretária que justifica a medida pela segurança, não se sustenta, a verdade é que essa vulnerabilidade só existe porque a própria gestão do Silvio Barros encerrou os contratos de segurança privada das escolas", diz.

"O que a gente precisa de verdade é valorizar as nossas professoras e os servidores da educação, e sentar para ouvir o que os pais e educadores realmente precisam", diz o vereador.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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