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Secretaria de Educação anula prova para diretores de escolas e participantes reclamam

Queda no sistema impediu a participação on-line e provas escritas foram canceladas

Secretaria de Educação anula prova para diretores de escolas e participantes reclamam
Prova foi remarcada para 30 de outubro, no turno da noite. Foto: Seed
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A Secretaria de Estado da Educação (Seed) anulou a prova de habilitação dos candidatos que poderão participar do processo de eleição para a direção de escolas estaduais, realizada no domingo (19 de outubro). Uma falha no sistema impediu os participantes de fazerem a prova on-line e a Secretaria optou pela anulação – o edital previa também a possibilidade de prova escrita.

O cancelamento não foi bem recebido por professores e professoras que fizeram a prova escrita (veja comentários abaixo). Muitos deles tiveram que viajar e alegam não ter disponibilidade para fazer o exame no próximo dia 30 de outubro, no turno da noite, nova data definida pela Seed.

A Secretaria informou apenas que o exame foi anulado "devido a instabilidade técnica no sistema gerido pela Celepar", estatal em processo de privatização pelo governo de Ratinho Júnior (PSD). "O problema identificado após relatos de candidatos, impossibilitou a realização efetiva do exame on-line", afirmou a Secretaria, que não informou quantos candidatos participaram.

Segundo funcionários do governo, o sistema caiu devido ao acesso simultâneo de candidatos, devido a um erro de planejamento conjunto. O presidente da Celepar, André Gustavo Garbosa, foi diretor de tecnologia da informação da Seed por dois anos, durante a estão do ex-secretário Renato Feder.

Em nota, a APP-Sindicato criticou a política do governo de Ratinho Júnior. "Esse processo tem problemas desde a sua origem e não é só sobre a aplicação desta prova, mas com o fato de que esse governo criou uma política de contratar empresas privadas para fazer prova para tudo", afirmou o sindicato em nota.

O Plural entrou em contato com a Seed e fica aberto à manifestação da Secretaria.

Repercussão

No perfil da Seed no Instagram, professoras e professoras reclamaram do cancelamento. Seguem alguns comentários:

"Ninguém merece fazer a noite, trabalho o dia todo e ainda tenho que dirigir 100km pra fazer a prova em outro município. Injusto."
"Tivemos que mudar de cidade, pois não havia energia na que faríamos a prova. Depois não houve possibilidade de fazer online. Fizemos impressa. Seria coerente cumprir o edital."
"Gostaria de expressar minha insatisfação diante do ocorrido. Chegamos antes do horário previsto, iniciamos pontualmente às 9h e, até as 10h, não havia normalizado qualquer instabilidade. Permanecemos no local até as 10h40, aguardando a entrega da prova impressa. Cumprimos integralmente o tempo destinado à realização do exame e, agora, fomos informados de que a avaliação será anulada e remarcada."
"Não concordo com o cancelamento, teve problemas, mas teve a opção de prova impressa."
Candidatos pediram a reaplicação da prova. Ok. E o edital então não serve pra nada? Havia a previsão de prova impressa em caso de instabilidade... Está tudo previsto em edital! Não faz sentido algum simplesmente anular, quem se sentiu lesado terá o período recursal. Estranho anularem sem nenhum recurso. Em pleno domingo, por qual canal oficial a seed ouviu esses candidatos para que tomasse a decisão tão rapidamente?
"Se tudo aconteceu conforme o edital, não há justificativa para a anulação."
"Núcleo de Jacarezinho todos realizaram a prova impressa."
Dia 30 trabalhamos o dia todo e realizar a prova a noite extremamente cansados e a noite a presença dos alunos, o silêncio necessário, nenhum...
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O Secretário Roni Mirando havia comentado que professores deveriam ser punidos caso não fossem trabalhar enquanto doentes

Nota da APP-Sindicato

Nota sobre aplicação de provas para eleição de direções de escola
A APP-Sindicato vem à público reafirmar sua posição contrária ao modelo de eleição de(as) diretores(as) de escola imposto pelo governador Ratinho Jr. (PSD) e repudiar o caos, o desrespeito e os transtornos causados aos(às) nossos(as) educadores(as) durante a aplicação de provas, neste domingo (19), para habilitação dos(as) candidatos(as) que poderão participar do processo de consulta à comunidade.

Esse processo tem problemas desde a sua origem e não é só sobre a aplicação desta prova, mas com o fato de que esse governo criou uma política de contratar empresas privadas para fazer prova para tudo. Prova para selecionar PSS, prova para selecionar quem pode fazer o PDE, prova para decidir quem pode ser candidato à diretor(a). Mas quem ganha com isso não é a categoria, não é o estudante, não é a sociedade.

A nossa defesa é de que os(as) nossos(as) professores(as) e funcionários(as) são qualificados(as) e competentes e precisam apresentar seus nomes para avaliação da comunidade escolar e não de uma banca privada. Todos(as) educadores(as) que já foram aprovados(as) no curso de gestão, já estão aptos(as) a serem candidatos(as), de modo que não há sentido em aplicar uma prova para avaliar o conhecimento de um curso em que já foram aprovados(as).

Quem ganha com essa aplicação prova para tudo são só as empresas contratadas pela atual gestão da Secretaria da Educação (Seed) que, mesmo pagando muito caro, quando vão aplicar os testes ocorre o monte de problemas que foram relatados pelos(as) nossos(as) profissionais.

Neste sentido, a APP-Sindicato reitera a defesa da gestão democrática nas escolas, com escolha direta  das direções pelas comunidades, sem a intervenção da Seed na seleção prévia dos(as) possíveis candidatos(as). Assim também, mantemos a resistência e a luta para reverter as condições impostas atualmente, bem como tomaremos as medidas cabíveis diante do absurdo que aconteceu no domingo e continuamos com o nosso canal de denúncias aberto para que todos(as) que se sentiram prejudicados(as) possam encaminhar suas denúncias e reclamações.

Curitiba, 20 de outubro de 2025

Direção Estadual da APP-Sindicato

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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