Em fevereiro deste ano, durante uma aula do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) do Paraná, organizada pela Secretaria Estadual de Educação do Paraná (Seed), o professor Antonio Moreira, da Universidade Aberta de Portugal, fez uma declaração considerada xenofóbica por docentes presentes. A palestra que tratava de novos sistemas de aprendizagem e do uso de tecnologia no ambiente escolar foi retirada do ar pela Seed.
Na ocasião, Moreira comparou o excesso de uso de telas à chegada de imigrantes em Portugal. Ele afirmou: “Em Portugal está a haver um debate sobre a questão da imigração descontrolada. Com o excesso de imigração que existe, com muitos brasileiros, com muitos asiáticos aqui. Não é nada contra estrangeiros, a questão é justamente o excesso. Tem que haver uma regulação entre aquilo que é legal e o ilegal. Nós temos que perceber aqui, a situação é a mesma, nós temos que perceber o que vai criar a viciação (em telas). É como o álcool ou outra substância que nos causa dependência”.

O professor Jefferson de Souza, participante do PDE, relatou ao Plural que outros docentes apontaram o problema durante a palestra, mas nenhuma medida foi tomada no momento. “No momento da fala nada foi feito. Então eu abri um chamado junto à Seed para demonstrar indignação e solicitar providências. O retorno foi que o vídeo havia sido retirado e que outras medidas foram adotadas, mas não detalharam quais”, disse.
Em resposta enviada a Jefferson em 7 de abril, a Seed informou estar “tomando as providências necessárias". No comunicado a SEED-PR também informou não compactuar “com qualquer tipo de manifestação que possa ser interpretada como discriminatória e reforça seu compromisso inabalável com uma educação pautada na ética, na diversidade cultural e nos direitos humanos”.
Como considerou a resposta evasiva, Jefferson voltou a questionar quais medidas concretas haviam sido tomadas. Em 27 de abril, a Seed respondeu que “o referido trecho foi retirado da plataforma e realizadas as devidas orientações quanto à conduta adequada”.
O vídeo, antes disponível no YouTube, não está mais acessível. O Plural procurou a Seed para saber quais outras medidas além da remoção do vídeo foram adotadas, mas até o momento desta publicação não obteve retorno.
