Nesta semana um evento da Secretaria de Estado de Educação (Seed) do Paraná lançou o projeto piloto “Tutor IA”, parceria entre o Governo do Paraná e a big tech Google. O “Tutor IA” será usado para auxiliar na correção e na elaboração de redação na rede pública estadual de educação. O projeto não menciona contratação de mais docentes de Língua Portuguesa para acompanhar a implantação.
O lançamento ocorreu no Colégio Estadual Paula Gomes, em Curitiba e a implantação ocorre até o dia 10 de julho, envolvendo também o Colégio Estadual Alberto Rebello Valente, em Ponta Grossa.
No texto publicado na Agência Estadual de Notícias, o Governo do Paraná enfatiza o uso de novas tecnologias para a educação do Estado e destaca o suporte que as ferramentas dão no processo de aprendizagem, todavia, para o Sindicato dos professores e funcionários de escola do Paraná (APP-Sindicato), aponta que a adoção sistemática de programas digitais na educação vai o encontro da priorização dos índices no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
“Como o Paraná tem organizado a rede de ensino? Sempre em torno da avaliação do Ideb. Então existe a separação da Língua Portuguesa e Redação e nesta disciplina os professores são obrigados a usar a plataforma Redação Paraná. Então nesta plataforma a redação já está sendo corrigida por IA (inteligência artificial) e a nossa briga com o Estado é que os estudantes precisam escrever, grafar manualmente para a fixação do conhecimento e estímulo do cérebro”, explica a presidenta da APP, Walkiria Olegário Mazeto.

O Plural publicou recentemente um levantamento no qual a aponta que a melhora no Ideb em escolas cívico-militares entre 2017 e 2023 ocorre por conta da mudança na composição do corpo discente: a exclusão de mais de 12,4 mil estudantes.
Além disso, segundo a Seed, em 2025, foram concluídas mais de 6 milhões de redações na ferramenta Redação Paraná, considerando todos os gêneros textuais. Deste total, cerca de 340 mil textos foram corrigidos com o apoio da IA, ou seja, tirando a autonomia crítica dos professores e professoras de Língua Portuguesa.
“A gente está fazendo este debate sobre o fetiche pela tecnologia que o Governo do Paraná tem. A tecnologia é boa, existe, mas precisa ser usada com parcimônia e não substitui ferramentas de aprendizagem só por elas. Isso baixa a qualidade de aprendizagem e prejudica o senso críticos dos alunos, que passam a usar IA para tudo”, critica Mazeto.
Para a professora, a Seed tem adotado medidas para facilitar a aprovação, e por consequência, manter bons resultados do Ideb. “A Seed trabalha hoje com a ‘lei do menor esforço’: o estudante não precisa ser desafiado, não tem construção do raciocínio lógico, não tem leituras difíceis e eles facilitam a vida do estudante para deixar a nota do Ideb alta”, Mazeto.
