No começo do ano um vídeo viralizou no TikTok. Ele mostrava um banheiro instalado pelo Governo do Paraná no litoral do Estado, que além de muito limpo tinha ar condicionado. A ação foi elogiada por turistas, mas a população local dos municípios litorâneos do Estado reclama que há escolas que não possuem o equipamento para diminuir o calorão.
As aulas na rede estadual começaram há pouco tempo e já há estudantes que deixaram de ir para escola. “Para você ter uma ideia, minha filha contou que essa semana o professor foi para a aula e levou um ventilador virado para ele. E eu até concordo com o professor porque fica muito abafado. Eu nem estou mandando minha filha para a escola nesses dias”, disse a professora da UFPR, Andressa Kerecz Tavares, cuja filha estuda no Colégio Estadual Gabriel de Lara, em Matinhos.
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Outra mãe de aluno do mesmo colégio, Daniele Vaz dos Santos, relatou ao Plural que foi até o local na última semana para reclamar sobre os aparelhos que estão nas caixas. “Tem um ventilador de teto, porém ele não funciona direito. A sala tem quarenta alunos e, inclusive, alunos passaram mal devido ao calor e alguns ficaram sem ir para a escola nos dias mais quentes. Enfim, é um caso desumano, até”, lamentou. Segundo a mãe, a resposta da escola foi de que depende de verba do Governo do Estado para contratação de um profissional para que a instalação seja feita. “Eu estou muito preocupada porque dias piores [mais quentes] virão. E isso afeta o desempenho e concentração deles em sala de aula, e isso já foi provado”.
Conforme a Secretaria de Estado de Educação e Esporte (Seed), 51 das 60 escolas estaduais do litoral têm ventiladores e 24 delas estão recebendo novos. Nos últimos dois anos o Governo do Estado comprou 64 ventiladores e 301 aparelhos de ar-condicionado para 19 escolas.
Apesar dos números, a APP-Sindicato aponta que há falta de planejamento da Seed. Isso porque há escolas que têm os aparelhos de ar-condicionado e não fizeram adequação na rede e há colégios que já estão com a rede adequada, mas não receberam os equipamentos.
“A informação que as escolas nos passam é de que o Núcleo [Regional de Educação] iria mandar ar-condicionado para as escolas onde já tinha rede elétrica pronta, então as escolas correram fazer essa adequação, com uma verba que receberam ano passado e acabaram não recebendo. E há escolas que não fizeram adequação e receberam, então é uma falta de organização tanto da Seed quanto do Núcleo”, critica o professor Marcelo Lages, membro da APP-Sindicato de Paranaguá e servidor no Colégio Estadual Mustafá Salomão, em Matinhos.
Calorão
Conforme previsão meteorológica do Simepar, até terça-feira que vem (25), as máximas variam entre 27 e 29 graus, deixando o clima quente e abafado.
Enquanto isso, estudantes e servidores da rede estadual de ensino do litoral precisam achar alternativas para driblar o calorão. Algumas escolas estão fazendo vaquinhas ou vendendo rifas para viabilizar a instalação dos aparelhos que já estão nos locais.
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Ainda não há previsão para que os aparelhos sejam instalados, e a Seed informou que “trabalha para retomar o cronograma de instalação dos aparelhos o mais brevemente possível”. Segundo a pasta, as fortes chuvas e alagamentos ocorridos no litoral também prejudicaram o planejamento.
“A climatização das escolas estaduais do Paraná é prioridade no planejamento contínuo da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR). A aquisição e instalação de aparelhos de ar-condicionado estão sendo realizadas conforme a adequação da rede elétrica das unidades e a liberação dos recursos do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), por meio do programa Escola Mais Bonita”, explicou a Seed, em nota.