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Deputado Tito Barichello pode ser denunciado por pedir "pena capital" para Renato Freitas

Parlamentar negou ter defendido pena de morte, mas apenas "a pena máxima prevista em qualquer legislação"

Deputado Tito Barichello pode ser denunciado por pedir "pena capital" para Renato Freitas
O deputado Tito Barichello. Foto: Orlando Kissner/Alep
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O deputado estadual Tito Barichello (União) poderá ser denunciado à Corregedoria da Assembleia Legislativa do Paraná por ter sugerido “pena capital” para o também deputado Renato Freitas (PT) na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da última terça-feira (8). A CCJ discutia a possibilidade de suspensão das prerrogativas de Freitas por 30 dias, estabelecida pelo Conselho de Ética na semana passada.

Durante sua fala para defender a aplicação da punição, o bolsonarista disse que não houve prescrição, como argumenta a oposição, já que o processo teria ultrapassado o prazo de 60 dias. “Não ocorreu a prescrição, porque o procedimento se reinicia a partir de uma nova notificação. De acordo com o meu compreender, não sei qual é a manifestação do relator, deveríamos ter uma pena capital”. 

A fala gerou reações dos deputados Arilson Chiorato (PT) e Ana Júlia (PT). Chiorato reforçou para o presidente da CCJ, Ademar Traiano, registrar a fala em ata e disse que vai encaminhar o caso à Corregedoria da Assembleia, o que poderá resultar em um processo no Conselho de Ética.

“Gostaria que o senhor colocasse nas notas, registrasse em ata, o deputado Tito Barichello, durante sua fala, falou que o deputado Renato Freitas merecia pena capital. Pena capital é o significado de pena de morte, proibida pelo artigo 5º da Constituição Federal”, afirmou Chiorato. “Faça o registro em ata, porque nós vamos tomar providências sobre isso junto à Corregedoria”.

Barichello disse que também tomará providências e negou que tenha recomendado pena de morte. “Não é a pena de morte. Pena capital, para o seu conhecimento, é a pena máxima prevista em qualquer legislação, então não é pena de morte, jamais em tempo algum, o senhor corrija e estude antes de se manifestar”.

“Desde quando pena capital é pena de morte? Só na sua cabeça.”
Delegado Tito Barichello, deputado estadual

A deputada Ana Júlia recomendou a Barichello que fizesse uma pesquisa no Google e lesse a legislação. “Leia a senhora, porque não é o Código Penal, é uma legislação administrativa, a pena capital é a máxima daquele estatuto”, respondeu ele. 

Para três advogados consultados pelo Plural nesta quarta-feira (9), pena capital é um sinônimo de pena de morte.

Punição não tem relação com protesto de professores, diz Renato Freitas
Advogado diz que fatos estranhos ao processo não poderiam ser utilizados. Segundo relatora da representação contra o deputado, “vários fatores” pesaram na aplicação da suspensão

Na sessão de terça da CCJ, Arilson Chiorato pediu vistas do relatório apresentado pelo deputado Soldado Adriano José (PP). O relatório nega a prescrição do caso, mas só será votado em agosto, após o recesso parlamentar de julho. Se ele for aprovado, a suspensão de Freitas por 30 dias será votada pelo plenário da Assembleia.

Caso a punição seja aplicada, o deputado não poderá relatar projetos, fazer pronunciamentos durante as sessões e participar de comissões do Legislativo (ele é titular da CCJ e preside a Comissão de Igualdade Racial).

Freitas é acusado por Barichello e Ricardo Arruda (PL) de ter organizado o protesto de professores que ocuparam as galerias da Assembleia em junho do ano passado, durante a votação do projeto de lei que instituiu o programa Parceiro na Escola. O programa de terceirização vai destinar R$ 1,8 bilhões para três grupos privados administrarem escolas estaduais nos próximos quatro anos, entre eles o grupo Impulso Educação (Salta), que tem entre seus acionistas o bilionário Jorge Paulo Lemann, envolvido no escândalo das Lojas Americanas.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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