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Déficit do transporte coletivo de Curitiba deve dobrar, diz orçamento

Rombo previsto nas contas da Rede Integrada de Transporte é de R$ 360 milhões, o equivalente a uma tarifa real de R$ 8,73 por passageiro

Déficit do transporte coletivo de Curitiba deve dobrar, diz orçamento
Déficit do transporte deve ser de R$ 200 milhões em 2025. Foto: Tami Taketani/Plural
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O buraco no orçamento do transporte coletivo de Curitiba deve aumentar ainda mais em 2026 segundo uma avaliação da Procuradoria Geral do Município. Pela previsão da própria prefeitura o déficit pode chegar a R$ 360 milhões, um aumento de 141% em relação ao registrado em 2024. O pessimismo da prefeitura está registrado na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, apresentada pelo prefeito Eduardo Pimentel (PSD) à Câmara Municipal.

O déficit previsto de R$ 360 milhões significa uma tarifa técnica - que é o valor real pago às empresas concessionárias de transporte por passageiro - de R$ 8,73. Em 2025, até julho, a tarifa técnica média foi de R$ 7,94.

Os valores previstos para cobrir o rombo nas contas da URBS - que é responsável pela Rede Integrada de Transporte (RIT) da cidade - mostram que desde 2023 a prefeitura vem prevendo a injeção de centenas de milhões no sistema sem incluir essa despesa adequadamente no orçamento.

Os valores previstos para subsídio do valor pago pela Prefeitura às empresas concessionárias estão no Demonstrativo de Riscos Fiscais e Providências, anexo à Lei de Diretrizes Orçamentárias enviada à Câmara. E são significativamente maiores que o reservado na Lei Orçamentária para "equilíbrio tarifário".

Com isso, a visibilidade dada ao real impacto do déficit da RIT no orçamento da cidade fica prejudicada. Desde 2023, o município prevê meros R$ 60 milhões de aporte de "equilíbrio tarifário". Foi o mesmo valor previsto em 2024, quando o déficit real foi de R$ 149 milhões.

Além do risco de R$ 360 milhões, a cidade também irá enfrentar um aumento significativo do endividamento com a assinatura de dois financiamentos no valor total de R$ 1 bilhão para compra de ônibus elétricos para a RIT. A cidade já tem dois financiamentos ativos para bancar as obras no sistema de transporte, como a que está em andamento na linha Inter 2.

Riscos à vista

Antes de 2023, a análise de riscos da Procuradoria não citava nenhum valor atrelado ao sistema de transporte coletivo, nem havia reserva de valores no Orçamento. Mas a partir de 2023 a LDO passou a listar o déficit do transporte coletivo como risco e previu naquele ano R$ 180 milhões para o serviço. Na LOA de 2023, a prefeitura, porém, foi mais conservadora: orçou R$ 60 milhões para "equilíbrio tarifário".

No ano seguinte, o risco foi calculado em R$ 188 milhões e a previsão orçamentária se manteve em R$ 60 milhões. O Plural calculou com base nos dados de cálculo da tarifa técnica que o déficit em 2024 foi de R$ 149 milhões.

Já na LDO de 2025, o valor calculado do risco de déficit deu um salto: R$ 303 milhões, muito embora a previsão orçamentária tenha permanecido em R$ 60 milhões. Até julho o déficit calculado pelo Plural da Rede de Transporte é de R$ 149 milhões. Se mantida o déficit médio mensal de R$ 21 milhões até dezembro, a cidade terá que bancar um buraco de R$ 218 milhões nas contas do transporte coletivo em 2025.

O déficit da rede de transporte é resultado de um descolamento entre a tarifa paga na catraca, pelo passageiro, e a paga pela URBS às empresas concessionárias do serviço. Atualmente a tarifa é de R$ 6, mas a URBS pagou às empresas em média, em 2025, R$ 7,94 por passageiro.

Em 2026, o déficit deverá dar um salto porque o prefeito, Eduardo Pimentel, decidiu manter a tarifa em R$ 6, enquanto as empresas de transporte continuam tendo os valores devidos por passageiro reajustados mês a mês. O valor de R$ 6 vai pelo menos até a conclusão da transição do atual contrato do serviço de transporte para o próximo, cujo edital nem foi publicado ainda.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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