Nesta quinta-feira (23) Valéria Batista de Souza e Thays Matos Silva registraram boletim de ocorrência junto à Polícia Civil do Paraná (PCPR), após serem vítimas de racismo em uma loja do Condor, nas Mercês, em Curitiba. O caso será investigado.
“As vítimas compareceram nesta manhã ao 3º Distrito Policial de Curitiba, onde foi registrado boletim de ocorrência cuja natureza consta como discriminação racial. Os elementos iniciais indicam uma suspeição seletiva, com abordagem e revista das vítimas sem justa causa” destacou o advogado que as representa, Luis Pedruco.
Ao Plural, Valéria explicou que sempre vai ao mercado, que fica perto da sua casa, e que acompanhada da amiga Thais foi seguida pelos seguranças. “Eles ficavam em duas pessoas a cada corredor, como se a gente fosse roubar. Pegamos o camarão e quando seguimos para o caixa falamos alto: ‘não precisa seguir, não vamos roubar nada’, e mesmo assim tivemos que abrir a bolsa”, diz.
Thays conta que a equipe de seguranças afirmou que as bolsas deveriam ter sido lacradas ao entrar na loja, porém, o funcionário responsável por fazer esta checagem disse que as bolsas eram de uso pessoal, e que não havia a necessidade de deixa-las do guarda-volumes ou lacrá-las. “Ele mesmo falou isso. Mas no caixa tivemos que tirar tudo. Tinha um pacotinho de biscoito na bolsa e um dos seguranças pediu para ver a nota fiscal, mesmo sabendo que este tipo de biscoito não se vende no mercado. Também perguntaram sobre absorventes que estavam soltos na bolsa”, reclama.

Depois disso, as clientes pagaram o produto e saíram da loja com a nota fiscal em mãos. O caso aconteceu na quarta-feira (22) à noite e elas relataram a situação nas redes sociais.
Depois, no dia seguinte, foram até a delegacia para formalizar a denúncia. A defesa das vítimas requereu a preservação das imagens das câmeras de segurança do estabelecimento, bem como a identificação e qualificação dos seguranças envolvidos, diligências essenciais para o esclarecimento dos fatos e eventual responsabilização nas esferas criminal e cível.
Além do constrangimento, o boletim de ocorrência ao qual o Plural teve acesso, registra ainda que uma das mulheres afirma ter sido apalpada por uma das seguranças durante a revista e que precisou abrir o casaco.
A ocorrência foi registrada no 3º Distrito Policial de Curitiba. No documento, a Polícia Civil enquadrou inicialmente os fatos nas naturezas de calúnia e praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito, previsto na Lei nº 7.716/1989, referente aos crimes de preconceito de raça ou de cor.
Outros casos
Este não é o primeiro caso de racismo nas unidades do Condor. Em 2023 Rodrigo Magno Correia, um homem negro, comprou um pote de sorvete e após pagar o produto foi abordado por um segurança e precisou mostrar a transação bancária no aplicativo do celular para comprovar o pagamento do sorvete.
Em 2024, Isabela Cauane Nascimento Machado foi abordada por um segurança que pediu para que ela lacrasse sua bolsa antes de entrar na loja do Boa Vista. A cliente é uma moça negra e o segurança deu outra opção a ela: deixar a bolsa no guarda-volume. O procedimento, todavia, não foi adotado com nenhum cliente branco que entrou na loja durante o período em que Isabela esteve lá.
A reportagem procurou o Condor para comentar a denúncia, informar quais procedimentos de abordagem são adotados pelos seguranças da rede e esclarecer se houve abertura de investigação interna sobre o caso. O espaço permanece aberto para manifestação.
