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Patinetes elétricos têm 50 mil viagens e reclamações de pedestres

Veículos geram queixas de pessoas com deficiência visual e baixa visão; prefeitura reforça regras de uso e promete fiscalização.

Patinetes elétricos têm 50 mil viagens e reclamações de pedestres
Central 156 recebeu 61 reclamações, a maioria por estacionamento irregular. Foto: Tami Taketani/ Plural

Quem anda pelas ruas do Centro tem se deparado com os patinetes azuis circulando ou estacionados nas calçadas. Lançado no início de julho, o serviço já soma 50.275 viagens, mas também trouxe problemas: a Central 156 recebeu 61 reclamações, a maioria por estacionamento irregular.

Em trechos como a Rua XV de Novembro (exclusiva para pedestres), dentro do Passeio Público e nas praças Rui Barbosa e Osório, os veículos são proibidos. A medida busca garantir a segurança dos pedestres, mas além dos incidentes, os patinetes têm causado transtornos a pessoas com deficiência visual ou com baixa visão.

Para Enio Rodrigues da Rosa, diretor do Instituto Paranaense de Cegos, “não estamos dizendo que patinetes não têm que ficar nas calçadas e nem que eles têm que ir para o meio da rua. O que estamos dizendo é que mesmo na calçada é preciso observar se eles não estão em cima do piso tátil, encostados nas paredes. Normalmente, o cego anda batendo a bengala na parede e no piso tátil para se orientar, então deixar o patinete nesses locais dificulta a passagem dessas pessoas e pode causar acidentes”, explica.

O instituto encaminhou denúncia à Promotoria de Defesa do Direito da Pessoa com Deficiência e reforçou: “o que a gente defende é que a solução passa pela conscientização dos usuários, pela fiscalização e pela definição de áreas adequadas para o estacionamento dos patinetes elétricos, preservando a circulação nas calçadas e, principalmente, no piso tátil”, complementa Rosa.

De acordo com a Prefeitura, o uso inadequado já gerou 516 abordagens feitas pelos fiscais da empresa operadora e resultou em 257 bloqueios de contas. As infrações mais comuns foram pessoas andando em dupla nos patinetes e menores de 18 anos guiando o equipamento. A Central 156 também recebeu três notificações de acidentes: dois atropelamentos de pedestres e uma colisão contra um automóvel, além de um caso de vandalismo. Todas as informações foram tratadas pela Urbs junto à empresa Jet.

Para o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, para evitar incidentes a melhor forma é seguir as regras de uso dos veículos. “Reforçamos que o usuário deve ser maior de 18 anos e deve utilizar o patinete sozinho, sem carona, e respeitar as regras de trânsito”. Ele acrescenta que “em caso de irregularidades a população pode utilizar o 156 para denunciar qualquer irregularidade. Estamos no primeiro mês de testes, vamos fazer uma avaliação das queixas para criar campanhas educacionais e depois campanhas de fiscalizações que podem inclusive resultar na exclusão do usuário do aplicativo de uso dos patinetes”.

Regras de uso

Os patinetes podem circular em ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas e locais com rota compartilhada, com limite de 20 km/h (ou 6 km/h em áreas compartilhadas). Não é permitido circular nas canaletas exclusivas de ônibus, transportar cargas ou usar o patinete para entregas. 

A devolução deve ser feita nos pontos indicados no aplicativo, sem abandonar o veículo em vias públicas, calçadas, faixas de pedestres, acessos veiculares ou rampas de acessibilidade. Ao encerrar a corrida, o usuário deve fotografar o patinete estacionado corretamente e enviar o registro pelo aplicativo.

O presidente do Instituto Paranaense de Cegos acrescenta ainda mais uma possível regra. “As calçadas estão cheias de postes, estão cheias de árvores,então deixe o patinete encostado ali no poste ou na árvore. Ali com certeza o cego não vai trombar, as pessoas não vão esbarrar ou tropeçar”.

Julia Sobkowiak

Julia Sobkowiak

Formada em jornalismo pela PUCPR.

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