O corte de centenas de árvores num parque linear da cidade já exigiria explicações do prefeito Eduardo Pimentel (PSD). Mas o caso da Arthur Bernardes parece ainda mais grave: a população foi enganada pela Prefeitura, que se comprometeu a avisar antecipadamente do corte, e acabou fazendo tudo de surpresa, às escondidas, para evitar que os moradores se organizassem.
Durante dois anos, num exemplo de mobilização cidadã, a população dos bairros ao redor do parque linear, como Santa Quitéria, Vila Izabel e Seminário, se uniram num movimento de preservação do meio ambiente. Motivos não faltavam: o grande canteiro da Arthur Bernardes é um oásis verde no meio de uma cidade que dá cada vez mais espaço para asfalto e carros.
As árvores ajudam a melhorar a qualidade do ar, impedem enchentes, servem como respiro para mentes ansiosas. Em seu lugar, a Prefeitura pretende colocar um miniterminal de ônibus para que os passageiros, em tese, ganhem uma viagem mais rápida (o ganho é estimado em três minutos) e para permitir que se troque de linha sem pagar mais uma passagem.
No entanto, a própria Prefeitura acabou com um dos principais argumentos para o corte das árvores. Eduardo Pimentel, o mesmo prefeito responsável pelo massacre das árvores, afirma que depois da licitação, marcada para o segundo semestre, os ônibus terão integração temporal. Ou seja, não haverá mais a necessidade do terminal para que se troque de ônibus sem pagar a passagem extra.
O Conseg da região conseguiu entrar no grupo de estudos que definiria o destino da via e das árvores. E havia o compromisso de que qualquer decisão seria comunicada previamente. Não houve comunicação, e neste sábado (16), os moradores, sem tempo para organizar protestos ou tentar medidas judiciais, tiveram de lutar com as poucas armas que tinham, protestando ao lado das motosserras já em operação.
A resposta da Prefeitura foi que a liberação da Secretaria de Meio Ambiente demorou e que "tudo aconteceu em cima da hora". Como assim? Por que não esperar e fazer tudo como havia sido prometido? Qual seria o problema de esperar mais uma semana?
A resposta é evidente: o aviso nunca esteve nos planos do município, que como sempre faz as coisas passando por cima da vontade alheia: projetos em urgência na Câmara são a regra; audiências públicas se tornaram um mero protocolo, sem que a vontade da população seja levada em consideração; por que neste caso seria diferente?
Quem perde é a cidade, que joga no lixo um lindo trecho de seu parque linear em troca de um terminal que poderia ser feito em outros lugares ou de outro jeito. E que também joga no lixo a ideia da democracia participativa em nome da autocracia da Prefeitura.