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Avanço no ensino municipal de Curitiba é maior em escolas "brancas"

A rede municipal bateu recorde no IDEB 2025, mas o avanço foi mais lento nas escolas com mais crianças pretas e pardas — grupo que só cresce em Curitiba

Avanço no ensino municipal de Curitiba é maior em escolas "brancas"
O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) visita escola municipal. Foto: SMCS
IDEB 2025 · CuritibaPlural

O IDEB de Curitiba subiu em 2025 em todas as etapas, mas o avanço foi mais lento nas escolas que concentram mais crianças pretas e pardas — as mesmas que já partiam de notas mais baixas. E isso acontece enquanto a rede municipal fica cada vez mais negra.

6,9
IDEB da rede municipal nos anos iniciais em 2025 (era 6,3 em 2023)
0,59
de diferença entre o terço de escolas mais brancas e o de mais negras
+0,34 vs +0,49
avanço desde 2019: escolas com mais crianças negras × mais brancas
17%→25%
crianças pretas e pardas na rede municipal (2015–2025, entre declaradas)

Nos anos iniciais do ensino fundamental, etapa que a prefeitura administra, o terço de escolas com maior proporção de estudantes pretos, pardos e indígenas ganhou 0,34 ponto desde 2019, contra 0,49 do terço de escolas mais brancas. A distância entre os dois grupos, em vez de fechar, se abriu: era de 0,44 ponto em 2019 e chegou a 0,59 em 2025.

O vão que não se fecha

Em 2005, o terço de escolas mais brancas tinha IDEB 5,07 e o terço com mais crianças negras, 4,45 — diferença de 0,62 ponto. Vinte anos depois, com todas as notas muito mais altas, a diferença é praticamente a mesma. O avanço elevou o patamar de todos, mas não encurtou a distância entre eles.

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Terço de escolas mais brancasTerço com mais crianças pretas e pardas
IDEB médio das escolas municipais de anos iniciais de Curitiba, por terço de composição racial das matrículas. Fonte: INEP (IDEB 2025) e Censo Escolar.

A geografia acompanha a cor. As duas regionais com maior proporção de crianças pretas e pardas — Tatuquara e Cidade Industrial, perto de 30% — têm o menor IDEB dos anos iniciais (6,69). Santa Felicidade, a mais branca (19%), tem o maior (7,23). Quanto mais negra a escola, menor tende a ser a nota: a correlação é de −0,43 nos anos iniciais e chega a −0,53 no ensino médio.

Uma rede cada vez mais negra

Enquanto isso, a rede municipal muda de cara. Entre os alunos que declaram cor ou raça, a fatia de pretos e pardos passou de 17% em 2015 para 25% em 2025. Em números absolutos, as matrículas de crianças pretas e pardas subiram de cerca de 19,7 mil para 28,2 mil — mesmo com a rede encolhendo de 131 mil para 117 mil alunos por causa da queda da natalidade.

0%10%20%30%20152017201920212023202524,9%
Proporção de estudantes pretos e pardos, entre os que declararam cor/raça, na rede municipal de Curitiba. Parte da alta recente reflete a melhora do registro no Censo: a fatia sem declaração caiu de 12% para menos de 3% no período. Fonte: Censo Escolar.
Um índice de escola, não de aluno. O IDEB não mede o desempenho de crianças negras ou brancas — ele é calculado por escola. O que estes dados mostram é como as notas das escolas se distribuem conforme o público que cada uma atende. E o público mais negro está, de forma persistente, nas escolas de menor nota.

Nos anos finais e no ensino médio — sob responsabilidade do estado — o abismo é ainda maior, embora nos anos finais a distância entre os grupos tenha diminuído desde 2019. Nos anos iniciais, a rede que mais cresce em diversidade é também a que precisa correr mais para não deixar essas crianças para trás.

Como apuramos: cruzamos o IDEB 2025 (planilhas "por escola" do INEP, série 2005–2025) com o Censo Escolar (matrículas por cor/raça e bairro de cada escola pelo código INEP). O recorte de Curitiba tem 179 escolas de anos iniciais, 150 de anos finais e 115 de ensino médio com IDEB em 2025. As escolas foram agrupadas em terços pela proporção de estudantes pretos, pardos e indígenas; as médias são simples, não ponderadas pelo tamanho das escolas. Dados públicos e reproduzíveis a partir dos arquivos do INEP.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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