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Greve toma ruas do Centro Cívico e Prefeitura de Curitiba chama servidores para nova negociação

Sindicatos informaram que nova rodada de negociações foi convocada, mas horário da reunião ainda não foi definido

Greve toma ruas do Centro Cívico e Prefeitura de Curitiba chama servidores para nova negociação
Servidores paralisaram atividades na manhã desta quarta-feira (8 de abril) / Foto: Julia Sobkowiak/Plural
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Servidores e servidoras municipais de várias áreas ocuparam as ruas do Centro Cívico na manhã desta quarta-feira (8 de abril), no primeiro dia de greve da categoria. A concentração começou às 8h30 na Praça 19 de Dezembro e os manifestantes seguiram em passeata até a Prefeitura. No fim da manhã, a Prefeitura anunciou que abriria uma nova negociação, mas nenhuma reunião havia sido marcada até a publicação desta matéria.

Professoras e professores da rede municipal paralisaram as atividades apesar da liminar concedida na segunda (7) pelo desembargador Ramon de Medeiros Nogueira, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), declarando a greve ilegal e estabelecendo uma multa diária de R$ 100 mil ao Sismmac, o Sindicato do Magistério Municipal. A base de servidores do Sismuc (Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba) também entrou em greve.

"Ilegal é não ter professor para atender as crianças autistas, não ter profissional de apoio, não ter o número suficiente de professores, termos salas superlotadas, ar-condicionado só na propaganda. Isso é ilegal. Ilegal é não cumprir a lei do piso dos professores", disse a presidente do Sismmac, Diana Abreu.

Segundo ela, a greve é por tempo indeterminado. "Quem decide quando voltamos ao trabalho é o prefeito Eduardo Pimentel e o secretário de Finanças (Vitor Puppi), que tem feito economia de caixa à custa de crianças autistas, que estão na escola sem profissional de apoio". Diana Abreu disse que o sindicato ainda não havia sido comunicado sobre a liminar até a manhã desta quarta. "Nós ainda não tivemos ciência da decisão liminar, portanto não recorremos. Mas vamos recorrer".

Concentração começou na Praça 19 de Dezembro (Foto: Plural)

De acordo com Alessandra Cláudia de Oliveira, diretora do Sismuc, a pauta prioritária é o auxílio-alimentação. "A administração pública de Curitiba não negocia, não mostra uma proposta concreta nas mesas de negociação. Os trabalhadores da da Saúde, Assistência Social, da Educação, da Fiscalização e do Ippuc não têm direito sequer ao auxílio-alimentação".

Somente a convocação de uma reunião, segunda ela, não vai desmobilizar a categoria. "Não adianta dizer que tem canal de negociação sem mostrar proposta concreta. O secretário de Finanças só beneficia os que são deles ou a iniciativa privada. Não investe no serviço público de qualidade", disse Adriana. "Com responsabilidade, a gente mantém os serviços essenciais funcionando, porque respeitamos a população. Mas a prefeitura não respeita. Ao invés de fazer uma proposta, entra na Justiça tentando declarar a ilegalidade de um movimento legítimo".

Além do vale alimentação, os servidores da Educação reivindicam valorização salarial, fim do desconto de 14% dos aposentados, crescimento vertical para todos os profissionais do magistério, melhores condições de trabalho e contratação de monitores para alunos especiais. Servidores das outras áreas pedem ainda a implementação de um plano de crescimento na carreira, para todos os trabalhadores, e a realização de concursos públicos para recomposição do quadro de pessoal.

Secretário diz que escolas não pararam

Em entrevista coletiva no fim da manhã, o secretário municipal da Educação, Paulo Schmidt, disse que há espaço para negociações. "Evoluímos na proposta que havia para a progressão vertical. Corrigimos as situações previstas com o descongelamento causado pela pandemia. O diálogo é permanente, constante. Valorizo o diálogo e a negociação, dentro dos limites de razoabilidade e da preocupação que nós temos".

O secretário Paulo Schmidt na manhã desta quarta-feira (Foto: José Marcos Lopes/Plural)

A progressão para toda a categoria é uma das principais reivindicações doe professores e professoras e foi limitada a 20% pela Prefeitura. "Com as negociações, esse número avançou e nós já estamos acima ou, no caso daqueles profissionais que estão no quadro inicial de carreira, nós já estaríamos quase perto dos 60%", disse o secretário. "Dentro das movimentações normais previstas para os próximos anos, quer dizer, a progressão vertical acontece a cada dois anos, e a progressão horizontal também, em anos intercalados, a gente acredita que até o final da atual gestão, em 2028, nós atenderemos 100% de toda a demanda".

Segundo Schmidt, 95% das escolas municipais funcionaram normalmente na manhã desta quarta. "São escolas que estão em pleno funcionamento, não há quadro de faltas. Escolas tiveram faltas parciais, mas estão atendendo alunos. Escolas e CMEIs (Centros Municipais de Educação Infantil) estão abertos. Eventualmente, os pais não levaram as crianças. Mas as escolas e CMEIs estão em condição de atendimento".

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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