O Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR) fará um ato nesta segunda-feira (9) contra a política de internações involuntárias anunciada pelo prefeito Eduardo Pimentel. O ato será a partir das 9 horas, na frente da Prefeitura, no Centro Cívico. O Movimento fará um café com a população de rua na frente da sede do Executivo municipal.
Para Leonildo José Monteiro Filho, coordenador nacional do MNPR, o decreto de Eduardo Pimentel que autorizou as internações forçadas é ilegal. O primeiro caso foi no dia 9 deste mês, quando equipes da Fundação de Ação Social (FAS) da Secretaria Municipal da Saúde e da Guarda Municipal internaram uma mulher em situação de rua perto da Avenida das Torres. Ela foi encaminhada para a Unidade de Estabilização Psiquiátrica Irmã Dulce, ligada à Fundação Estatal de Atenção à Saúde de Curitiba (Feas).
“É um ano eleitoral e a bandeira da extrema direita é sempre punir os mais vulneráveis. E os mais vulneráveis são a população de rua”, diz Leonildo. “Curitiba tem agora o projeto Centro Vivo e a gente sabe o que está por trás, a limpeza social higienista. A gestão Pimentel não criou uma vaga de acolhimento, está vivendo do que o (Rafael) Greca construiu, os hotéis sociais e os consultórios de rua. Hoje, se uma pessoa procurar abrigo, não encontrará vaga”.

Segundo Leonildo, a política de internações forçadas está sendo adotada em várias cidades. "Temos casos em São José dos Pinhais e Cascavel, além de cidades de Santa Catarina e de Belo Horizonte. Queremos levar isso até o Superior Tribunal de Justiça (STF) e o Supremo Tribunal Federal (STF) para derrubarmos isso", afirma. O decreto de Curitiba já foi denunciado ao Ministério Público do Paraná e a Conselho Estadual de Direitos Humanos.
O Movimento da Luta Antimanicomial também criticou as internações involuntárias. Para o movimento, tratou-se uma ação midiática do prefeito Eduardo Pimentel, que expôs uma mulher em situação de rua, e parte de uma política de higienização social. Para o Movimento, o número de pessoas em situação de rua vem aumentando em função da especulação imobiliária, da precarização do trabalho, de cortes em políticas públicas e do desmonte da Rede de Atenção Psicossocial.