“Foi com uma boa dose de persistência que consegui realizar o filme", conta Vino Carvalho sobre a produção de “Prontuário nº415361”, que passou por uma incansável busca por editais e também pelas incertezas da pandemia. O documentário é um projeto pessoal, dá para dizer que é muito pessoal inclusive, e a primeira vez que o cineasta assume a direção profissionalmente.
O curta-metragem foi selecionado pelo Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba e estreia na Mostra Mirada Paranaense. As sessões são no dia 16 de junho, domingo, às 14h15, no Cinemark Mueller; e no dia 19 de junho, quarta-feira, às 18h30, no Cine Passeio Luz.
“Prontuário nº415361” (Dir. Vino Carvalho | Brasil | 2023 | 19’)
Dez anos depois de uma experiência breve no Hospital Psiquiátrico do Bom Retiro, o cineasta volta ao local, agora em ruínas. A partir de sua memória e de conversas com uma fotógrafa, que registrou pacientes dali, e com seu filho, ele tenta reconstruir o imaginário que cerca o lugar e revelar como a sociedade percebe e lida com doenças mentais.
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Vino Carvalho
Natural de Curitiba, Vino Carvalho é formado em cinema pela Faculdade de Artes do Paraná (Unespar) e Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná. Hoje divide seu tempo entre trabalhos no audiovisual e na fotografia, e também como jornalista.
Na entrevista a seguir, ele conta a saga que foi produzir o documentário e como o cinema entrou em sua vida, além de indicar para o público obras de Heloisa Passos em exibição no festival. Confira.
Qual a lembrança mais afetiva do cinema em sua vida?
Curiosamente, quando juntei algum dinheiro de meus primeiros salários, minha primeira compra foi uma câmera digital que já fazia vídeos e, mesmo sem imaginar que trabalharia com isso. Tenho boas lembranças dessa primeira relação com a câmera, e até hoje gosto muito de operá-la.
Quando e por que você decidiu ser cineasta?
Eu já trabalhava desde os 15, e comecei a cursar Mecatrônica, tinha emprego nessa área, mas não estava feliz. Não só larguei o curso no início, como também me demiti para fazer Jornalismo e Cinema, porque já acreditava nisso como uma paixão, que persiste.
Como nasceu a ideia para o seu curta-metragem selecionado para a Mostra Mirada Paranaense? Em seu filme, o que deve ter chamado a atenção da curadoria do Olhar de Cinema?
Foi com uma boa dose de persistência que consegui realizar o filme. A ideia nasceu ainda no curso de Cinema, numa disciplina de direção de documentário, em que o cineasta Evaldo Mocarzel nos provocou a fazer algum projeto pessoal. De lá pra cá, tentei algumas vezes realizar o filme, cheguei a perder um HD com filmagens, tentei editais várias vezes, então o projeto foi selecionado para ser desenvolvido no Festival de Documentário Estudantil (FIDÉ), em 2017, depois foi aprovado no Mecenato da Fundação Cultural de Curitiba, na categoria Iniciante, mas tivemos a pandemia. Só em 2023 que a etapa de produção foi realizada, finalmente.
Sobre a curadoria do Olhar de Cinema, começamos a enviar o filme para festivais e foi a primeira aprovação em seleções. Sei que a Mirada Paranaense busca prestigiar filmes locais numa janela que é internacional, e isso deve ter colaborado; embora tenha consciência de que muitos filmes não são selecionados, então a seleção já nos deixa bem felizes.
“Prontuário nº415361” é seu primeiro trabalho em cinema?
É minha estreia na direção profissional. Mas desde a minha formação, em 2016, trabalhei em diversas funções e projetos. Recentemente fui o diretor de fotografia da série “Ninhos em Movimento”, feita para a TV, com 13 episódios sobre crianças migrantes que vivem no Brasil. Essa produção da Trópico, que também produziu o meu filme, já ganhou alguns prêmios relevantes. Em documentários, também fiz a direção de fotografia de “Essa Terra Não Vai Terminar”, que recebeu menção honrosa no Olhar de Cinema de 2019; e assistência de direção no “Marumbi: a Montanha por Dentro”, que foi o recordista de bilheteria online no Cine Passeio em seu lançamento.
Quais são suas principais referências no cinema? Essas influências podem ser reconhecidas no curta-metragem em exibição no festival?
Com certeza me inspirei bastante em outras obras de cinema documental, sobretudo filmes autobiográficos: a cineasta japonesa Naomi Kawase, por exemplo, que faz filmes muito potentes a partir de experiências bastante pessoais; e o cineasta chileno Patricio Guzmán, que também tem como tema central a memória e a própria história. Mas não vivo só de documentários. Eu, minha companheira Eloise Procópio (que é da música e fez a trilha sonora do filme) e meu filho de 8 anos de idade adoramos maratonar os filmes de Hayao Miyazaki, por exemplo.
Além de “Prontuário nº415361”, o que você indica para o público assistir no Olhar de Cinema?
O interessante da Mirada Paranaense é que você pode ver vários curtas numa só sessão, indico as pessoas que estão na mostra como um todo, é uma ótima oportunidade de prestigiar o trabalho de artistas locais que nem sempre temos a oportunidade de ver, sobretudo com a qualidade da sala escura e da tela grande. Neste mesmo sentido, indico a obra de Heloísa Passos, que terá alguns de seus filmes nesta edição do festival, como parte das Exibições Especiais. Ela é reconhecida internacionalmente, mas pouca gente do público sabe que ela é daqui. Esse aspecto formativo do festival é super importante e interessante.
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13º Olhar de Cinema – De 12 a 20 de junho
A 13ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba exibe produções para as crianças, estreias nacionais e internacionais, obras de cineastas paranaenses e filmes clássicos, no Cine Passeio (R. Riachuelo, 410 – Centro); Cinemark Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127, Centro) e no Teatro da Vila (R. Davi Xavier da Silva, 451, Cidade Industrial de Curitiba). A exibição especial de abertura é dia 12 de junho, na Ópera de Arame (R. João Gava, 920, bairro Abranches).
Os ingressos estão à venda no site oficial do evento com valores a partir de R$8 (meia-entrada). Todas as sessões no Teatro da Vila são gratuitas.
Os curtas-metragens brasileiros em exibição no festival também poderão ser assistidos gratuitamente, de 18 de junho a 7 de julho, na plataforma de streaming Itaú Cultural Play.
Programação completa e outras informações aqui, e também nas redes sociais oficiais do evento: Instagram @olhardecinema e Facebook.com.br/Olhardecinema. Verifique a classificação indicativa de cada filme e sessões com acessibilidade de audiodescrição.
A 13ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba é realizada por meio do programa de apoio e incentivo à cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba, sendo também o projeto aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Lei Paulo Gustavo, e pelo Ministério da Cultura – Governo Federal, com patrocínio do Itaú e Peróxidos do Brasil, apoio do Instituto de Oncologia do Paraná, Sanepar, Cimento Itambé, Favretto Mídia Exterior, e apoio cultural de Projeto Paradiso, Cine Passeio, Instituto Curitiba de Arte e Cultura. Verifique a classificação indicativa de cada filme e sessões com acessibilidade de audiodescrição. A produção é da Grafo Audiovisual.