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Festival de Curitiba custa quase metade de “Wicked, o musical”

Com orçamento de menos de R$ 11 milhões, o Festival chega aos 35 anos ainda sonhando com patrocínio proporcional ao porte e à relevância do evento, dizem seus diretores 

Diretores do Festival de Curitiba
Daniela Zaha, Fabíula Passini e Leandro Knopfholz, diretores do Festival de Curitiba, em entrevista coletiva do balanço da 34ª edição do evento. (Foto: Annelize Tozetto/Festival de Curitiba.)
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Os números do Festival de Curitiba, o maior da América Latina dedicado às artes cênicas, continuam impressionantes ao longo dos anos. As médias anteriores foram mantidas em 2026 com 400 atrações; 200 mil pessoas no público, como plateia ou participantes de atividades; 2.600 empregos, entre diretos e indiretos; e impacto econômico no turismo estimado em R$ 50 milhões. Em coletiva para imprensa no encerramento da 34ª edição do evento, os diretores do Festival de Curitiba, Leandro Knopfholz e Fabíula Passini, falaram sobre esses números e ainda sobre outra coisa que se manteve: a dificuldade para entrar em cena.

Luta contra o tempo

Às vésperas de completar 35 anos, a batalha mais acirrada entre todas as que a produção do Festival enfrenta segue sendo a da vontade frente à falta de um cronograma de investimentos de longo prazo, segundo Knopfholz. “Um sonho é a possibilidade de ter mais tempo para se estruturar. Conseguimos com a prefeitura um contrato de três anos, nosso contrato com a Petrobras está em renovação para mais três anos, também estamos negociando com um banco para dois ou três anos. Se tivermos essa antecipação, essa possibilidade de planejamento, podemos trabalhar com um conforto e segurança que a gente nunca teve para fazer um evento ainda mais robusto”, diz ele.

Quanto custa? E quanto deveria custar?

Em 2026, o orçamento completo do Festival de Curitiba esteve na casa de uma dezena de milhões de reais, captados por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura (por renúncia fiscal). A cifra pode parecer grande, mas não é, conforme afirma o diretor: “O nosso orçamento é mais do que R$ 10 milhões e menos de R$ 11 milhões incluindo Mostra Lúcia Camargo, Fringe, Guritiba, Gastronomix, Risorama, MishMash, Interlocuções e Conexões. Apesar do número parecer enorme, ele é apertado e incerto”. 

Para dar dimensão do campo das incertezas, ele explica que trouxeram 50% mais pessoas para a realização do evento neste ano e que a guerra no Oriente Médio disparou o preço do combustível da aviação. “Quando isso acontece, tudo [além das passagens] aumenta o preço e estamos engessados num orçamento com uma rubrica definida sem planejarmos que haveria uma guerra.”

Fabíula reforça o quanto o orçamento é limitado. “É muito enxuto. Hoje, um musical no Brasil é montado com R$ 10 milhões”. “Mamma Mia” custou R$ 13 milhões e “Les Misérables” captou mais de R$ 15 milhões de incentivo pela Lei Rouanet. Sobre a informação publicada pela Folha de São Paulo, em que o valor da produção de “Wicked – O Musical” foi declarado como R$ 19 milhões, a diretora afirma: “A gente faz dois Festivais com esse valor, nas nossas condições de trabalho atuais.”

A cifra indicada confortável pelos diretores para o Festival de Curitiba é R$ 16 milhões. “A gente está 50% abaixo do patrocínio que precisamos para fazer o evento com tranquilidade, porém ajuda ter certeza - com três anos de antecedência - que o dinheiro estará de fato aqui. Mas é complicado”, fala o diretor.

O que muda para 2027

Curadoria

Fabíula revelou que para o Festival de Curitiba 2027 a curadoria continua nas mãos de Giovana Soar, Daniele Sampaio e Patrick Pessoa. Entretanto, como aconteceu com a dupla anterior de curadores, Guilherme Weber e Marcio Abreu, o ciclo termina com cinco anos de permanência. “E é importante que se troque a curadoria, porque é preciso ver também outros olhares. O Brasil é muito plural e é importante que se renovem os olhares”, diz ela.

Spoiler

A diretora também deu um spoiler sobre novidades na programação e nos palcos. “O ano que vem completamos 35 anos e queremos coisas especiais. Pelo menos três possibilidades de espetáculos já existem, estamos conversando para estrearem aqui”.

Eleições 2026

Voltando ao campo do incerto, o próximo festival também passa pelas urnas. Ele será em seguida da posse do novo governador do Paraná e presidente do Brasil. Sobre os impactos que podem sofrer os patrocínios e apoios conforme diferentes nomes sejam eleitos, Knopfholz diz que não há como antecipar o cenário. “É esperar e acreditar que a ‘instituição festival’ é maior do que qualquer segmento político. E a gente vê isso, na abertura deste ano tivemos um arco-íris ideológico presente, azul, vermelho, rosa, amarelo, tudo. O Festival de Curitiba é para todos e merece ter mantido os apoios de todas as esferas. Independentemente de quem esteja à frente da produção.”

Festival de Curitiba 2026

A 34ª edição do evento foi realizada entre os dias 30 de março e 12 de abril, com programação dividida entre mostras e eventos paralelos. A Mostra Lúcia Camargo apresentou 28 espetáculos selecionados pelos curadores Giovana Soar, Danielle Sampaio e Patrick Pessoa, e no Fringe, foram cerca de 250 atrações, divididas entre espetáculos gratuitos, mostras e ações formativas.

Outras informações no site oficial do evento.

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

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