Texto de Lara Oliveira, aluna de Jornalismo da PUCPR
Sob orientação de Luciana Nogueira Melo
Destaque como único longa-metragem curitibano no Festival de Cinema Fantástico Djanho!, “Aloha, Malandro” (2025) tem previsão de chegar aos cinemas em 2026. Com direção e roteiro de Evandro Scorsin, a comédia é o segundo filme do diretor e percorreu um longo caminho até ser produzido, o roteiro quase emplacou em 2014, as filmagens começaram em 2018, mas só foi finalizado recentemente e lançado em 2025.
Segundo o diretor, o filme nasceu de uma obsessão do cineasta por humor cartunesco e mistura “um pouco de gore e comédia numa espécie de horror cômico". O enredo coloca em xeque o comportamento da sociedade. Para isso, Scorsin apresenta ao telespectador personagens que vão além de caricaturas atrapalhadas, são uma reflexão espelhada na realidade filtrada pelo cinema.
“Aloha, Malandro” (2025) traz Jairo, um cara folgado que não tem muitos princípios éticos e de moralidade, disposto a fazer coisas absurdas para se dar bem na vida e morar no exterior, seu grande sonho. Em contraposição, temos seu irmão, um cara depressivo que não tem muitas pretensões para a vida. Os dois personagens acabam se envolvendo em uma série de situações absurdas que se desenrolam para algo muito pior.
Evandro Scorsin

Nascido e criado em Curitiba, aos 38 anos, Evandro tem no currículo com produções como os curta-metragens “Terror Noturno” (2019) e “Paranoia Doce” (2018), em que assina como diretor e roteirista. Os filmes circularam entre festivais de horror brasileiros e internacionais. O primeiro longa da carreira foi “Fale Comigo Verão: O diário de um cineasta amador” (2023), um documentário com partes ficcionais sobre o retorno de Scorsin da França para o Brasil, uma obra intimista e emotiva, bem diferente desta segunda empreitada.
Em entrevista ao Plural, o diretor fala sobre sua trajetória no cinema e revela por que “Aloha, Malandro” levou cerca de dez anos para ser produzido. Confira a seguir.
Como e por que você decidiu escolher o cinema?
Desde criança, sempre fui alimentado por imagens, com a TV o tempo inteiro ligada com algum conteúdo audiovisual a todo momento. Comecei a fazer faculdade de publicidade e propaganda, mas aí desisti quando descobri que existia cinema. No cinema, eu poderia produzir e criar imagens que pudessem contar histórias e fomentar a imaginação, e não o consumo, como é na publicidade.
Quando descobri o cinema como uma possibilidade de profissão, me pareceu natural tentar lidar com os problemas da minha vida produzindo imagens: buscando refletir sobre o que essas imagens que consumi a vida inteira dizem para mim. Então, vejo o cinema quase como uma extensão da minha própria forma de pensar. Tanto assistir, ver, pensar e escrever sobre filme é quase como uma extensão do meu cotidiano, a forma como vejo a realidade é filtrada pelos filmes e pelas imagens.
Qual é a sua formação, onde estudou e se profissionalizou?
Comecei a estudar cinema na Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e, quando, em 2010, eu estava para me formar, montei a produtora “O Quadro” com amigos e colegas. Desde então, produzimos bastante aqui na cidade. São 15 anos produzindo curtas, médias e longas, inicialmente com foco bem marcado na produção infantil juvenil, mas que gradualmente foi expandindo para outros tipos de produções.
Além disso, eu fiz um mestrado na França em 2020, na Universidade Gustave Eiffel, em Paris. Esse mestrado resultou no meu primeiro longa-metragem: um documentário, uma autoficção que conta um pouco do processo de retorno ao Brasil e da paternidade. Uma perspectiva bem pessoal sobre a imigração. “Fale Comigo Verão: O diário de um cineasta amador” (2023).
Quais são suas principais referências no cinema?
Meu gosto pode ser bem amplo e, ao mesmo tempo, bem restrito também. O que quero dizer é que as referências vão depender do universo em que estou trabalhando. Por exemplo, num filme como o “Fale Comigo Verão” (2023), um documentário em primeira pessoa, eu tenho uma influência bem próxima do cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard.
“Aloha Malandro” (2025), têm influências de cinema de gênero, um tipo de que gosto bastante. Um cineasta que me interessa e que me influencia é o Stuart Gordon, que tem um pouco essa noção de misturar um pouco de gore e comédia numa espécie de horror cômico. Em específico, é um filme que nasce a partir de uma influência, uma obsessão minha, por comédia cartunesca. Jerry Lewis nos anos 60, mas também principalmente alguns filmes do Stephen Martin dos anos 70, com uma comédia que ia contra o punchline, meio absurda.
Quanto tempo levou o processo de produção do filme e como ele foi financiado?
Todo o processo do roteiro começa em 2014, com a aprovação no edital Mecenato de Curitiba. O filme foi feito parcialmente com recursos deste edital, mas tinha uma complementação de renda de um outro edital do fundo setorial. Embora esse orçamento do Mecenato fosse pequeno, ele cobria parte da produção e acabou sendo embargado logo depois da eleição do Bolsonaro, então esse edital foi cortado e os nossos recursos também.A gente perdeu uma parte do recurso de produção e, por conta disso, quando filmamos em 2018, tivemos que parar as gravações que foram retomadas em 2021, quando conseguimos coprodução com uma empresa de Londrina.Essas são as fontes de financiamento que no final das contas fizeram o filme acontecer, um processo que levou praticamente sete anos. Fazer cinema às vezes é um processo lento, desgastante, principalmente por conta dos recursos financeiros que muitas vezes demoram para sair. É um processo que exige muita paciência e resiliência também.
O longa já foi exibido antes?
O filme é de 2025, mas teve uma pré-estreia em 2024, no Festival Kinoarte de Londrina. A estreia oficial aconteceu no Fantaspoa, um festival do Rio Grande do Sul. O Djanho! é a terceira exibição pública do filme e a primeira em Curitiba, o que é mais legal ainda porque vai ser a chance de toda a equipe que trabalhou no filme poder assistir pela primeira vez.Como eu disse, a gente filmou em 2018, então faz muito tempo e muita gente ainda não viu o longa e, paralelamente, a gente já tem um contrato de distribuição. Então ele deve entrar nas salas de cinema no começo do próximo ano, em 2026.
Além do seu longa, o que você assistiu nesta edição do Djanho?
Assisti à estreia do festival, o filme Ogiva (2024). Eu estava particularmente interessado em ver as produções de gênero brasileiras, porque o gênero tem crescido muito no Brasil, tem pipocado produções de todos os lugares e muitas vezes esses filmes não são tão fáceis de encontrar.
Ter o Djanho! para trazer essas produções para cá é sensacional. Fora os clássicos que o Djanho! exibiu também, Stuart Gordon tem a Noiva do Frankenstein, um filme dos anos 30 que é sensacional e clássico. Estou participando o máximo possível do festival.
“Aloha, Malandro”, na plataforma Darkflix+
O longa-metragem está no catálogo online da mostra curitibana de cinema fantástico na plataforma Darkflix+, com 30 filmes disponíveis gratuitamente, de 6 a 15 de novembro.
Outras informações, aqui.