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Cartola foi jurado do Carnaval de Curitiba por duas vezes

O sambista Cartola foi jurado do Carnaval de Curitiba nos anos de 1970. Esteve na Marechal Deodoro julgando os sambas-enredo em 1974 e 1976.

Cartola foi jurado do Carnaval de Curitiba por duas vezes
Cartola, ícone do samba brasileiro. Foto: Arquivo
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Curitiba tinha um carnaval pujante nas décadas de 1970 e 1980. A festa, décadas antes limitada aos salões dos clubes da cidade, há poucos anos havia sido transferida para a Rua Marechal Deodoro que recebia quatro noites de desfiles. A prefeitura, sob a primeira gestão de Jaime Lerner, decidiu investir na folia.

Além de fornecer recursos para que as escolas de samba colocassem os carros alegóricos na rua, a administração municipal enfeitava a cidade com bandeirolas e outros ornamentos. Mas a ação mais ousada foi trazer grandes nomes do carnaval e das artes do Brasil para julgar os desfiles do carnaval curitibano.

Personalidades do carnaval carioca vinham para Curitiba para compor a comissão julgadora dos desfiles das escolas de samba. A prefeitura bancava passagens e cachês: os jurados chegavam na quinta-feira, avaliavam os desfiles na sexta e retornavam ao Rio no fim de semana para acompanhar suas próprias escolas.

Entre as personalidades da música e da cultura que estiveram na Marechal Deodoro julgando os desfiles estava Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola. Fundador da Estação Primeira de Mangueira, ele foi jurado em Curitiba nos carnavais de 1974 e 1976.

Cartola era um dos jurados responsáveis por avaliar os sambas-enredo das escolas e tinha fama de criterioso — não distribuía notas altas com facilidade. No Carnaval de 1974, o título ficou com a Dom Pedro II (atual Mocidade Azul), mesmo após receber nota 7 dele no quesito samba-enredo. A Colorado, por sua vez, conquistou um 10 do mestre, mas terminou a apuração meio ponto atrás na classificação geral. A revanche veio em 1976: com o enredo “Paraná de Todas”, a Colorado levantou o troféu e, mais uma vez, garantiu nota máxima do consagrado compositor da Mangueira.

Quem costumava recepcionar Cartola em Curitiba era o já falecido jornalista Aramis Millarch considerado um dos maiores nomes do jornalismo cultural da cidade. Ainda no final dos anos 70, o também jornalista, advogado, escritor e compositor curitibano Claudio Ribeiro passou a integrar a Ala de Compositores da Mangueira, no Rio de Janeiro. Foi nesse ambiente que ele se aproximou de nomes gigantes da música brasileira, entre eles Cartola.

O que começou como parceria musical virou amizade e quando vinha para Curitiba Cartola também fica na casa de Cláudio Ribeiro.

“Fui parceiro do Cartola, uma alegria imensa”, relembrou ele em entrevista à Rádio ALEP, em 2024. No fim dos anos 1970, Leci Brandão o convidou para participar de um festival da Mangueira. A dupla saiu vencedora, e isso abriu as portas para que ele se tornasse integrante da Ala de Compositores da escola. A partir dali, vieram novas conexões e encontros marcantes. “O festival nos aproximou de figuras lendárias, como o Cartola. Quando ele vinha a Curitiba, ficava lá em casa. E ter o Cartola em casa significava o quê? Música o tempo todo”, contou, orgulhoso. “Tive muita sorte de cruzar com tanta gente importante da MPB”.

Parceiro de composição e espécie de herdeiro artístico de Cartola, Claudio Ribeiro esteve ao lado do sambista em andanças por bares e rodas de samba curitibanas, acumulando histórias curiosas e cheias de sabor daquele período. Para estudiosos do assunto, é consenso que a década de 1970 representou o ponto mais alto do carnaval de rua na capital paranaense.

José Pires

José Pires

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura dos povos indígenas do Sul do Brasil; meio ambiente; política; cultura e liberdade religiosa

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