Duas câmeras de monitoramento da Muralha Digital e uma câmara corporal de um Guarda Municipal de Curitiba gravaram a ação violenta da Guarda e da Polícia Militar contra pessoas que comemoravam a premiação do filme "Ainda Estou Aqui" no Oscar 2025.
As imagens teriam sido "preservadas em arquivo no Muralha Digital", mas não vão ser disponibilizadas nem para os vereadores de Curitiba.
A informação está em um ofício da Superintendência da Guarda Municipal de Curitiba em resposta a um pedido de informação da vereadora Giorgia Prates (PT). A falta de acesso às imagens - parte importante da investigação a respeito da ação da PM e da Guarda - é, na realidade, culpa da própria Câmara.
Isso porque a Guarda Municipal justifica a falta de disponibilização das imagens com base no artigo 8 da Lei 15.405/2019 aprovada na própria Câmara. O texto prevê a disponibilização só por "autorização legal pertinente". Ou seja, só se o caso for à Justiça e esta determinar a liberação das imagens.
A outra hipótese é a autorização pelo Comitê Gestor, que é composto por integrantes do governo municipal, mas nenhum representante nem do Ministério Público Estadual, nem da Câmara Municipal nem de representantes da sociedade civil.
Por causa da lei que a Câmara analisou e aprovou, cabe a própria Guarda analisar as imagens que poderiam revelar má conduta de seus integrantes e decidir pela liberação delas, um óbvio conflito de interesse.
Na noite do dia 2 de março e madrugada do dia 3, a Polícia Militar e a Guarda Municipal dispersou o público que comemorava a vitória brasileira no Oscar com tiros de bala de borracha e bombas de efeito moral. Em nota, a Guarda Municipal justificou a ação com base em uma denúncia de vandalismo que teria sido denunciada durante a festa.
A festa no Cine Passeio foi organizada pela instituição, que é referência em cinema em Curitiba e é parte do governo municipal, e reuniu cerca de cinco mil pessoas. Além da reação violenta, a polícia e a guarda prenderam duas pessoas.