Pular para o conteúdo

Acusado de ordenar morte de casal em festa neonazista é condenado a 48 anos de prisão

Crime foi em 2009. Júri concluiu que Ricardo Barollo ordenou as mortes para manter liderança do movimento neonazista

Acusado de ordenar morte de casal em festa neonazista é condenado a 48 anos de prisão
Ricardo Barollo na época da primeira prisão, em 2009 (Divulgação/Cope)
Publicado:

O economista Ricardo Barollo, acusado de ordenar a morte de um casal em 2009, durante uma festa que reuniu integrantes do movimento neonazista brasileiro em Quatro Barras, foi condenado a 48 anos e seis meses de prisão na noite desta quinta-feira (22). O julgamento terminou por volta das 22 horas, no Fórum de Campina Grande do Sul.

O estudante de direito Bernardo Dayrell Pedroso, de 24 anos, e a estudante de arquitetura Renata Weachter Ferreira, 21 anos, foram mortos a tiros na madrugada de 21 de abril de 2009, na BR-116, quando retornavam para a chácara onde a festa era realizada. A comemoração havia começado na noite de 20 de abril, data de nascimento de Adolf Hitler.

A investigação feita na época pelo Cope, da Polícia Civil, indicou que havia uma disputa entre Barollo, que na época tinha 32 anos e vivia em São Paulo, e Bernardo, que morava em Belo Horizonte e vinha influenciando cada vez mais o mvoimento. Renata, que era namorada de Bernardo, vivia em Curitiba. 

No último dia 24 de março, dois acusados de matarem Bernardo e Renata foram condenados no Fórum de Campina Grande do Sul. Jairo Maciel Fischer, de 37 anos, foi condenado a 27 anos, sete meses e oito dias de prisão; João Guilherme Correa, 34, foi sentenciado a 35 anos. Outros dois acusados foram inocentados.

“Foi o segundo júri e agora gente chega a uma conclusão dessa história, 16 anos depois, entre idas e vindas, recursos, adiamentos, mudança de competência do processo e tentativa de anulação de provas”, comentou José Carlos Portella, advogado do pai de Renata, Amadeu Ferreira Júnior. “Assim a família da Renata vai poder viver o luto, que eles não puderam viver. Para eles representa um grande momento, de fechamento dessa etapa da história. Servem como um pequeno alívio essas condenações nesses dois júris”.

O crime

Bernardo e Renata estavam na festa em homenagem a Hitler, realizada em uma chácara. Já na madrugada de 21 de abril, o casal foi chamado para comprar mais cerveja e buscar o namorado de outra participante da festa, que estava em Curitiba. Quando voltavam para a chácara, o ocupante teria pedido para parar o carro. Outro veículo, com dois homens encapuzados (que seriam Jairo Maciel Fischer e João Guilherme Correa), se aproximou. Eles atiraram na nuca de Bernardo e três vezes contra Renata. Os dois morreram no local.

“Neuland”

Em maio de 2009, seis pessoas foram presas pela Polícia Civil, entre elas o casal que teria participado da emboscada. Ricardo Barollo foi preso em São Paulo e o suspeito de atirar contra o casal foi detido em Teutônia (RS). Com ele foi apreendida uma pistola Hi-Power calibre 9 mm registrada na Argentina. Outra arma foi encontrada no Parque Barigui, em Curitiba.

Todos foram libertados no dia 2 de julho de 2009, após decisão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), por causa de um erro formal no processo. Barollo foi preso novamente em outubro daquele ano, mas deixou a cadeia no dia 30, após nova decisão da 1ª Câmara Criminal do TJ-PR.

Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo planejava a criação de um "novo país" chamado Neuland, que ficaria na Europa e seria "livre de judeus e homossexuais".

Célula neonazista em SC

Um dos condenados em março, João Guilherme Correa, foi preso em novembro de 2022 em um sítio no município de São Pedro de Alcântara (SC). Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, ele participava da reunião anual de uma célula neonazista. Oito pessoas foram presas, entre elas Correa, conhecido como “Kempfer”. Outro participante do encontro foi condenado a 13 anos de prisão em 2018, por espancar, junto com outras pessoas, três homens que usavam quipás.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

Todos os artigos

Mais em Justiça

Ver todos

Mais de José Marcos Lopes

Ver todos

De nossos parceiros