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Vem muito livro bom por aí em 2025. Quais são as suas apostas?

Listão com 500 lançamentos de editoras e entrada em domínio público de bons autores são tradições para quem gosta de livros

Vem muito livro bom por aí em 2025. Quais são as suas apostas?
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Virada de ano tem pelo menos duas tradições, pelo menos para quem fica de olho nos livros para o ano seguinte. A primeira é o listão dos lançamentos que o Daniel Dago faz e o Plural publica já há alguns anos, a outra são os autores que vão entrar em domínio público no próximo ano.

Comecemos pelo listão que é mais complicado, são mais de 500 títulos, diversas editoras e muita informação. Mas dando aquela passada de olho, férias vamos mais devagar e a ideia é não trabalhar e não pensar muito em livros, (já adianto que é tarefa impossível) algumas coisas chamam a atenção.

A publicação do Dalton Trevisan pela Todavia é um acontecimento e claro gera uma baita expectativa do que eles vão fazer com a obra do Vampiro. A lista avisa que O Vampiro de Curitiba está previsto para o ano que vem. De 1965, o livro de contos (ora pois) é considerado por muitas pessoas como sua grande obra. Duas curiosidades: o título forneceu a alcunha do próprio Dalton e todos os contos são protagonizados pela personagem Nelsinho.

Da Mundaréu vêm dois livros do chileno José Donoso, O Lugar Sem Limites é uma beleza. Saiu aqui antes pela Cosac Naify, curtinho, forte e bem escrito. Daquelas leituras que marcam.

Tem algumas coisas boas, mas que não são tão novidades. Annie Ernaux, Bulgákov, Elaine Vilar Madruga, Olga Tokarczuk, Han Kang.

Nos livros nacionais chama a atenção o relançamento de livros antigos. Aquela coisa, o livro sai por uma editora pequena, o autor ou autora ganha espaço, muda para uma editora maior que requenta os títulos que estavam na editora pequena. Contudo, é normal as editoras não divulgarem com tanta antecedência os lançamentos nacionais, esperam para ver como o ano vai se desenrolando e o melhor momento de lançar.

Toda virada de ano uma leva de autores entra em domínio público, ou seja seus textos podem ser publicados por qualquer editora. Sem autorização, mas sempre respeitando a autoria e o texto (às vezes a coisa desanda e vira uma festa, mas a ideia é tratar a obra com respeito). Teve um ano que as prateleiras foram inundadas por edições de 1984 e A Fazenda dos Animais do Orwell, este ano foi de Vidas Secas e Angústia do Graciliano Ramos. Para o ano que vem não tem nenhum nome que possa criar uma onda tão grande, claro que veremos Oswald de Andrade em várias editoras, mas sem tanto alvoroço.

Se eu fosse publicar algo da turma do domínio público, tem dois nomes que me chamaram a atenção. E não sei se alguém vai publicar, eu gostaria, mas não é tão fácil. A polonesa Zofia Nalkoska tem um livrinho de contos que parece bem interessante. De contos também o turco Sait Faik Abasiyanik. Quem sabe um dia.

A leitura de férias é A Vegetariana da Han Kang e tradução de Jae Hyung Woo. Ainda não li nada dela e fiquei curioso, não só pelo Nobel, os livros já saíam muito bem na livraria. O começo é bom, tem ritmo e alguns detalhes bem interessantes.

E entre um gole e outro de café acaba o ano e fica a sensação de que apesar dos pesares o ano não foi de todo ruim para os livros. Em Curitiba tem bastante coisa acontecendo e foi um ano agitado. Na torcida para que o que começou neste ano continue no próximo e que venham mais novidades. 2025 promete.

Tags: colunista

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