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A arte de encontrar livros para nossos leitores

A editora Pinard fez uma bela edição do Avalovara, que chegou a ficar esgotado

A arte de encontrar livros para nossos leitores
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Essa semana foi de passar pelos catálogos das editoras e procurar livros interessantes para colocar nas estantes da livraria. É uma das coisas mais divertidas que tem, “caçar” os livros. Envolve uma boa dose de tempo e paciência, analisar títulos e mais títulos, e também estar atento e ouvir o que se está falando por aí.

A editora Pinard fez uma bela edição do Avalovara de Osman Lins. Publicado em 1973 o livro estava na Companhia das Letras, mas ficou esgotado um ou dois anos e voltou recentemente. A história fala sobre a criação do palíndromo SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS intercalada com a história do jovem escritor Abel. Lins conta que organizou as duas narrativas como um espiral e também usando a inspiração do quadrado Sator, como a disposição das cinco palavras latinas que formam o palíndromo ficou conhecida. Não é uma leitura fácil, mas sem dúvida é interessante.

O Grande Caderno da húngara Ágota Kristóf é o primeiro livro de uma trilogia chamada Os Gêmeos. Várias pessoas me falaram sobre esse livro e estou bem curioso para ler. Uma mãe entrega seus filhos gêmeos para a avó, uma tentativa de aumentar as chances dos filhos sobreviverem à guerra. Nessa nova realidade eles decidem se colocar em situações extremas para acabar com qualquer traço de pena, saudade, dor, compaixão, tristeza. Acreditam que assim vão se fortalecer e conseguir sobreviver. Tudo é anotado em um caderno. O livro saiu pela editora Dublinense e a tradução é de Diego Grando.

Um país que está recebendo cada vez mais atenção das leitoras e leitores brasileiros é a Colômbia. (e aqui claro temos a exceção do Gabriel García Márquez que sempre esteve por aí) No momento jabá, lembro de Onde Cantam as Baleias de Sara Jaramillo Klinkert (tradução da Iara Tizzot, pois é minha mãe) que saiu pela Arte & Letra. Sou suspeito, mas afirmo que é um livraço. Enfim, o livro que eu queria falar é O Diabo das Províncias de Juan Cárdenas, tradução de Mariana Waquil que saiu pela DBA. A história conta sobre um biólogo que deixa a Colômbia para estudar e volta anos depois. O plano seria conseguir emprego em uma universidade, mas acaba se tornando professor em um internato feminino perturbador em que muitas das estudantes estão grávidas e outras tantas desaparecem sem que ninguém diga nada. Vai para a fila de leitura.

E pensando na DBA lembro do Gozo Fabuloso de Paulo Leminski, livro de contos que saiu faz uma pá de anos, mas que é uma belezinha. Os 29 contos são curtos falam de tudo um pouco. Vale a pena.

Curiosamente estava buscando por mais um livro para falar e mais uma tradução da Mariana Waquil me chamou a atenção. Restauração da mexicana Ave Barrera e agora escrevendo me lembrei que esse era um dos livros que estava na minha lista de possibilidades para publicação. Tinha me esquecido disso. Em Restauração Min é contratada para recuperar um casarão colonial da família de seu namorado Zuri, um fotógrafo obcecado pelo romance “Farabeuf”. Farabeuf foi escrito por Salvador Elizondo, uma loucura de livro fora de catálogo aqui no Brasil. Ano passado pensei seriamente em ir atrás do Farabeuf e acabei chegando no Restauração da Ave Barrera, que bom que a editora Incompleta está publicando o livro por aqui.

E a boa notícia é que Restauração faz parte de uma coleção da editora Incompleta chamada Capitais & Cafundós que vai publicar histórias em que as cidades são uma das personagens. Além de Restauração, a coleção já publicou Simpatia do venezuelano Rodrigo Blanco Calderón e tradução de Raquel Dommarco Pedrão.

E agora vou ali tomar um café colombiano.

Tags: colunista

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