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Superlotação do Pequeno Príncipe revela saga de famílias com filhos doentes

Desde terça hospital não está mais recebendo novos pacientes

Por Admin
Superlotação do Pequeno Príncipe revela saga de famílias com filhos doentes
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O aviso, assinado pela direção do Hospital Pequeno Príncipe, está afixado na porta dos atendimentos de Emergência do SUS: em negrito pode-se ler "não temos condições de receber mais pacientes". Desde a noite de terça, o hospital fechou o atendimento de emergência pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em razão da superlotação nos leitos. Há 14 crianças internadas nos consultórios - essa é a terceira vez, em duas semanas, que o hospital precisa interromper os atendimentos.

Em apenas 15 minutos, pelo menos cinco mães passam pelo local em uma tarde de quarta-feira. "Ué, mas tá fechado!", exclama uma delas, ao se deparar com a porta cerrada e o aviso. Dos 370 leitos disponíveis, a entidade informa que 70% são reservados ao SUS.

O problema, me informa o vice-diretor clínico do hospital, Victor Horácio de Souza Costa, é a alta procura direta de pacientes de Curitiba e da região metropolitana. "A orientação para os pacientes é se dirigir a uma UPA ou Unidade de Saúde para o atendimento primário", afirma. A situação revela problemas mais profundos no sistema de Saúde.

https://www.plural.jor.br/sobrecarregado-pequeno-principe-tem-21-dos-pediatras-do-sus-em-curitiba/

Pingue-pongue

Em frente à porta fechada, uma mãe - com o bebê no colo - chora enquanto fala ao telefone. Relata que o filho não tem se alimentado, e não evacua há dias. Andresa Bueno (31), é operadora de caixa e carrega o pequeno Lyonel, de um ano e cinco meses. Nos braços da mãe, o bebê dorme um sono inconstante, vira e mexe abre os olhos, geme baixinho. Os dois enfrentam uma saga desde 24 de abril: moradores do Sítio Cercado, a família relata ter ido à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região pelo menos quatro vezes.

Lyonel passou dez dias fazendo um tratamento com antibióticos, e chegou a tomar injeção. A febre do pequeno, no entanto, não cedeu. Da UPA, Andresa tentou recorrer diretamente ao Pequeno Príncipe, mas foi direcionada a uma Unidade de Saúde, para receber o encaminhamento. Buscando atenuar a febre do menino, em meio à busca por um atendimento definitivo, Andresa foi mais uma vez até a UPA: "O médico olhou ele e tudo, falou que era suspeita de gripe HN1. Ele tá fazendo tratamento, o médico mandou ficar em observação, só que a febre não cedeu", relata.

A mãe fez, ainda, mais uma tentativa, dessa vez na Unidade de Saúde - lá, o diagnóstico foi de infecção: nem ouvido, nem garganta, algo mais profundo. Nenhum exame foi solicitado, de acordo com a mãe. De volta ao Pequeno Príncipe pela segunda vez na semana, Andresa aguarda a chegada da cunhada, para que juntas possam tentar atendimento em outro hospital.

https://www.plural.jor.br/lotado-pequeno-principe-fecha-pronto-atendimento/

Jornadas sem fim

A jornada em busca de um tratamento eficiente não é exclusividade de Andresa e Lyonel. Megtei dos Santos (28) e a filha, Emily, de cinco anos, também estão há dias tentando resolver uma tosse incessante. De Fazenda Rio Grande, região metropolitana de Curitiba, as duas já passaram por postos de saúde - onde não conseguiram consulta -, atendimentos 24 horas e até mesmo por médicos particulares.

Emily tem asma, e mesmo sem exames, teve antibióticos receitados para tratar uma suposta infecção nos pulmões. Os remédios, no entanto, não surtiram efeito, a menina chegou a passar mal. Sem conseguir marcar consulta com urgência, o Pequeno Príncipe foi a saída melhor recomendada pelos conhecidos.

"Não pedem exame, estou entrando em desespero. Falam que ela está com os pulmões infeccionados, mas não fazem nada", relata a  mãe. A cada novo atendimento, um diagnóstico diferente: para um médico,  a asma está sob controle, os problemas são os pulmões, para outra a infeção vem da asma. "Não pediram exame de sangue, raio X, nada, nada, nada", lamenta Megtei enquanto se dirige com a menina ao quinto local para tentar atendimento.

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Tags: Paraná

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