Pular para o conteúdo

Sindicato denuncia fechamento de cursos técnicos no Paraná; secretaria nega

Segundo o APP-Sindicato, governo de Ratinho Júnior não autoriza reabertura de cursos com procura considerada baixa

Sindicato denuncia fechamento de cursos técnicos no Paraná; secretaria nega
Secretaria da Educação diz que há "reorganização pontual" de cursos técnicos no estado. Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
Publicado:

O APP-Sindicato, que representa professores e professoras da rede estadual de ensino do Paraná, denunciou que o governo de Ratinho Júnior (PSD) está fechando cursos técnicos com baixa procura. Segundo o sindicato, recentemente a Secretaria de Estado da Educação (Seed) deixou de ofertar o curso de Técnico de Enfermagem no Colégio Estadual Albino Feijó Sanches, em Londrina, e está fechando os cursos de Mecânica, Eletromecânica, Edificações e Química no Centro Estadual de Educação Profissional de Curitiba (CEEP).

O critério do governo, segundo o sindicato são os números: alguns cursos que teriam uma procura considerada baixa pela Seed deixam de ser ofertados e podem voltar no ano seguinte – gerando uma dispersão de estudantes e professores. O sindicato lembra que, no caso de cursos de Técnico em Enfermagem ofertados em escolas privadas, a média da mensalidade chega a quase a metade de um salário mínimo. No Senac, o valor total do curso é de R$ 13.509.

Segundo Vanda Santana, secretária Educacional do APP-Sindicato, a Seed não oficializa o fim dos cursos, mas não autoriza a abertura de novas turmas. “Praticamente todos os colégios que ofertam cursos técnicos estão passando por esse problema. No Colégio Brasília Machado, em Antonina, tem curso de Segurança do Trabalho, mas não foi autorizada a abertura de uma nova turma. Em Paranaguá, no Colégio Alberto Gomes Veiga, o curso de Técnico em Comércio Exterior também não foi autorizado”.

Vanda Santana admite que há uma oscilação no número de alunos, mas avalia que a não reabertura de turmas acaba dispersando a comunidade e os professores. “A secretaria diz que, dependendo da demanda, pode reabrir as turmas no primeiro semestre de 2026. Mas isso interrompe o ritmo da escola e da comunidade. Há uma dispersão de professores, que vão procurar outro emprego. Geralmente são profissionais de outras áreas do mercado. E os próprios estudantes se dispersam”.

Para a dirigente do sindicato, a não reabertura dos cursos se deve à visão mercadológica do governo de Ratinho Júnior (PSD) sobre a educação. “Para a secretaria, o mais simples é não ofertar. Se um curso tem 30% de evasão mas tem 70% de conclusão, não seria o suficiente?", questiona. "A Seed tem uma visão de mercado e de produtividade, acha que não é rentável. O papel da escola não é esse, é um papel formativo. Claro que gente precisa considerar a boa aplicação dos recursos, mas isso tudo passa pela função social da escola e por políticas públicas que garantam acesso e permanência. Não é culpa do estudante ou da escola”.

O que diz a Seed

Em nota, a Seed afirmou que mais de 120 mil alunos estão matriculados atualmente em cursos técnicos ofertados pela rede estadual. Só em 2025, de acordo com a secretaria, 50 mil novos estudantes ingressaram nos cursos. A Seed negou que tenha alguma previsão encerramento dos cursos e disse que há apenas uma reorganização pontual. Segue a nota da seretaria:

A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) tem promovido a ampliação consistente da Educação Profissional em todo o estado. Atualmente, mais de 120 mil alunos estão matriculados em cursos técnicos gratuitos ofertados pela rede estadual. Já o número de ingressantes também apresentou aumento significativo: em 2019, 14 mil novos alunos se matricularam na modalidade de ensino. Em 2025, o número ultrapassa os 50 mil.

Cabe ressaltar que não há, no planejamento da rede estadual, previsão de encerramento de cursos técnicos. Da mesma forma, nenhum procedimento neste sentido está sendo implementado. 

O que ocorre é a reorganização pontual da oferta em determinadas unidades, baseada em critérios técnicos como a demanda local, a evasão escolar, a disponibilidade de campos de estágio, a infraestrutura das unidades e o suprimento de professores. 

Em muitos casos, trata-se apenas de oferta alternada (quando uma turma deixa de ser aberta em um semestre específico, mas volta a ser ofertada no semestre seguinte, conforme as condições locais permitam).

No caso do Colégio Estadual Albino Feijó Sanches, em Londrina, o Curso Técnico em Enfermagem não será descontinuado. A oferta encontra-se temporariamente suspensa em razão da ausência de adesão, por parte dos profissionais habilitados, às convocações realizadas pela rede estadual de ensino, que segue promovendo, de forma sistemática, os procedimentos necessários para a composição do corpo docente. 

Enquanto não houver provimento das vagas docentes, a continuidade das atividades letivas permanece inviabilizada, sem que isso represente o encerramento da oferta. Destaca-se, ainda, que os estudantes interessados podem buscar unidades escolares da região com turmas regulares em andamento, assegurando a continuidade de sua formação técnica.

Importante destacar que, em 2024, o colégio recebeu novo laboratório equipado para o curso de Enfermagem, o que reforça a intenção da Seed-PR de manter e qualificar essa formação técnica. A previsão é de que o curso continue sendo ofertado anualmente, conforme o restabelecimento das condições operacionais.

Por fim, ressaltamos que nenhum curso técnico foi descontinuado no estado. Os ajustes realizados visam garantir a continuidade da Educação Profissional com qualidade, responsabilidade e transparência no uso dos recursos públicos.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

Todos os artigos

Mais em Só a educação Salva

Ver todos

Mais de José Marcos Lopes

Ver todos

De nossos parceiros