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Se eu tivesse uma livraria

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Se eu tivesse uma livraria, ela se chamaria Capela. Porque ler é meio que minha religião.

Na Livraria Capela, teríamos “cultos” todos os sábados às 17h, com temas como “O evangelho de José Saramago” e “Jesus segundo J.M. Coetzee”. (Pensando melhor, “Culto” também é um bom nome de livraria!) Cada tema traria um convidado diferente e poderiam ser autores, tradutores, pesquisadores e leitores.

Os cultos terminariam por volta das 18h e, em seguida, seriam oferecidos drinques (alcoólicos e não alcoólicos) para todos os leitores. Porque sábado, às 18h, é um bom horário para fazer um aperitivo.

Assim as pessoas teriam chance de bater um papo, dar uma olhada nas novidades e adquirir seus textos (sagrados e não). Quem quisesse, poderia contribuir com a Livraria Capela adquirindo também produtos da loja de suvenires, como camisetas, sacolas de pano, canecas, lápis e marcadores. Como tema, as estampas e impressões teriam só o primeiro nome de escritoras e escritores (bem ao estilo bíblico), como Annie (Ernaux), Olga (Tokarczuk) e Franz (Kafka).

A loja venderia também cafés em grãos ou moído e várias opções de chás com nomes simpáticos como “O sol também se levanta” e “Meu ano de descanso e relaxamento”.

“Leia à Capela” seria o slogan da livraria porque alguns trocadilhos são irresistíveis. E acho que senso de humor é uma ótima forma de vender livros.

Inspirada no serviço de curadoria oferecido pela ​Heywood Hill​, em Londres, a Livraria Capela teria planos de assinatura em que a pessoa receberia um livro por mês baseado em seu perfil de leitora, traçado a partir de uma conversa com os curadores da loja. Cada sugestão enviada pelo correio seria uma surpresa (idealmente) positiva — um serviço de boas novas.

Por fim, a Livraria Capela prestaria assistência literária para pessoas físicas e jurídicas. Assim, empresas que se gabam de oferecer planos médico e odontológico para seus funcionários, poderiam oferecer também um plano literário. Quem dispor desse plano, terá acesso a profissionais capazes de sugerir leituras de livros de ficção que ​ajudem​ em crises profissionais, pessoais e amorosas. Ou que sirvam de inspiração para questões mais objetivas como “largar o celular” e “sair das redes sociais”.

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A foto que abre a newsletter mostra a fachada da livraria Heywood Hill, em Londres. (Foto: Herry Lawford/Creative Commons)

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“Singular”, a newsletter de cultura do Plural, é exclusiva para assinantes do jornal e escrita por Irinêo Netto.

Ela é enviada semana sim, semana não.

Tags: Singular

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