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Referência nacional em quadrinhos, Itiban pode fechar após 31 anos

Depois de 31 anos, a Itiban Comic Shop , livraria referência em quadrinhos, corre o risco de fechar suas portas. A falta de estratégia em relação ao abre e fecha, por parte da prefeitura e também do…

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Depois de 31 anos, a Itiban Comic Shop, livraria referência em quadrinhos, corre o risco de fechar suas portas. A falta de estratégia em relação ao abre e fecha, por parte da prefeitura e também do governo federal, a ausência de contrapartida financeira para os empresários da cultura, a impossibilidade de festas de lançamento, que movimentavam a loja quase todo fim de semana, e também a ausência de engajamento do leitor – que às vezes prefere comprar virtualmente de gigantes como a Amazon – são alguns dos motivos.

Festas, discotecagens e lançamentos movimentavam a Itiban antes da pandemia.

“Desde o começo da pandemia, tivemos uma constante queda de faturamento. Mas esta foi a primeira vez que fiquei sem chão. A Itiban é o que me alimenta. E o fechamento, agora, é uma opção”, diz Mitie Taketani, proprietária da livraria e também uma das curadoras da Bienal de Quadrinhos de Curitiba. A Itiban é uma empresa familiar, tocada por Mitie e por seu parceiro Xico Utrabo. Atualmente há um funcionário, que será desligado em breve.

No site da Itiban, há cerca de 1.000 títulos de HQs (um dos melhores catálogos do Brasil) e também de literatura infantil e paranaense. Com as medidas de restrição impostas pela pandemia, as vendas online foram uma alternativa. Mas não para todos. “Tenho clientes que pagam no dinheiro contado. Alguns não compram pela internet, ou nem tem internet disponível”, diz Mitie. Atualmente, a Itiban está aberta somente para retirada de livros comprados em seu site.

Lourenço Mutarelli, Laerte, Marcello Quintanilha, Adão e Caco Galhardo foram alguns dos grandes nomes dos quadrinhos do Brasil que passaram por lá recentemente, em lançamentos de livros, festas e discotecagens, eventos disputados e divertidos que faziam a Itiban tomar fôlego.

Escritor e quadrinista Lourenço Mutarelli, autor de "O Cheiro do Ralo", em evento na Itiban.

Nos dias 28 e 29 de março, Mitie pensou numa estratégia para que os leitores mais assíduos voltassem a frequentar a livraria, mesmo que virtualmente; e para que outros conhecessem mais a fundo o catálogo da Itiban. “Fizemos uma promoção de dois dias. Todos os livros estavam com 20% de desconto. O pessoal apoiou, foi bonito. Mas não dá pra fazer isso sempre”, explica Mitie, que pede um “engajamento do leitor” para enfrentar este momento.

“É preciso consciência. Entender que a Itiban tem esse acesso à diversidade na produção, que é uma livraria física que promove encontros. Para esse leitor, comprar da Amazon, por exemplo, é um tiro no pé. É dar dinheiro para quem já tem. As livrarias físicas dependem deste engajamento para sobreviver”, diz Mitie. “A gente não quer fechar, por isso fazemos umas loucuras como foi a promoção. Mas não temos mais estrutura para continuar”.

A Itiban fica na Avenida Silva Jardim, 845, no Rebouças.

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