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Primeiro casal gay a ter união estável no Brasil celebra 35 anos juntos em Curitiba

Toni Reis e David Harrad se tornaram símbolo da representatividade LGBTI+ e da luta em favor dos direitos da comunidade

Primeiro casal gay a ter união estável no Brasil celebra 35 anos juntos em Curitiba
David Harrad e Toni Reis se beijam na 7ª Marcha Pela Diversidade de Curitiba. Foto: Tami Taketani/Plural.
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O presidente da Aliança Nacional LGBTI+, Toni Martins Muller Harrad Reis, mais conhecido como Toni Reis, celebrou os 35 anos de união estável com seu cônjuge, David Harrad, no Restaurante Madalosso, em Curitiba, no último sábado (29). O casal foi o primeiro a oficializar uma união estável homoafetiva no Brasil e é precursor dos direitos LGBTI+ na capital paranaense. 

O jantar comemorativo teve o objetivo de celebrar o amor não apenas do casal, mas de todas as pessoas que se identificam como parte da comunidade LGBTI+, uma vez que a trajetória dos dois representa a história de milhares de casais homoafetivos no país. Ao longo de 41 anos de luta pelos direitos humanos, Toni destaca: “Celebrar a felicidade e a cidadania é fundamental. Queremos lembrar que cada família tem direito ao amor e à dignidade.”

Toni (ao centro) com David (à direita) e os três filhos do casal. Foto: Arquivo pessoal

Ao todo, compareceram 125 pessoas para celebrar a renovação dos votos do casal que, em suas próprias palavras, “sentiram-se como se tivessem dito ‘sim’ pela primeira vez novamente”. Além disso, amigos e familiares de Toni e David os homenagearam através de depoimentos ao público, contando os bons momentos que tiveram juntos. 

Uma história de amor que cruza o continente

Toni e David se conheceram em 28 de março de 1990, em Londres, na Inglaterra e estão juntos desde o primeiro encontro. A história de amor dos dois converge com a militância: em 1992, após recém retornarem a Curitiba, os dois reuniram pessoas e realizaram uma reunião, reconhecida como a primeira do Grupo Dignidade, que se trata de uma ONG que luta pela promoção de direitos e visibilidade da comunidade LGBTI+.

Junto à fundação do Grupo Dignidade e suas ações, Toni e David precisaram ser resilientes para que tivessem reconhecimento da própria união: David, que possuía cidadania inglesa, não podia contar com a sua união com Toni para solicitar a emissão de um visto permanente no Brasil. Após o vencimento de seu visto como turista, o inglês passou a morar no país de forma irregular e chegou a ser denunciado à Polícia Federal.

Foram mais de 14 anos de luta e espera, até que o casal pudesse reclamar por discriminação ao Conselho Nacional de Combate à Discriminação, em 2003. Como resultado, a entidade passou a reconhecer a união entre as/os companheiras/os estrangeiras/os do mesmo sexo para a realização do visto permanente. A ação alterou as normas da legislação imigratória e concedeu o visto permanente a David, em 2005.

Flávia Carolina

Flávia Carolina

Vejo possibilidade de libertar mentes e sociedades através da informação e da comunicação acessível. Acredito na mudança social com a conquista das classes baixas a novos espaços por meio da educação.

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