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Zeca Dirceu confronta indicativo de Gleisi e tenta se impor como candidato

Deputado afirma que apoio a Ducci não está definido e depende de instâncias partidárias

Zeca Dirceu confronta indicativo de Gleisi e tenta se impor como candidato
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O deputado federal Zeca Dirceu está decidido a tentar emplacar uma candidatura própria do PT em Curitiba. Nesta semana, articulou um encontro de cinco correntes do partido para se contrapor a algo que parece quase certo: a adesão do partido à candidatura do ex-prefeito Luciano Ducci, do PSB.

Embora a decisão de ir com Ducci pareça já estar tomada e conte com o aval da presidente nacional do partido, deputada Gleisi Hoffmann, de longe hoje o nome mais influente no partido em todo o Paraná, Zeca diz que é preciso “respeitar as instâncias partidárias”. Ou seja, apesar de Brasília querer uma coisa, a decisão tem que ser do diretório de Curitiba - e quem não gostar do resultado que recorra às instâncias superiores.

Zeca, que pertence ao mesmo grupo de Gleisi e Lula, o Construindo um Novo Brasil, nunca foi de comprar briga com Lula e Gleisi. Mas dessa vez está se aliando às correntes mais à esquerda do partido, como a Democracia Socialista, de Carol Dartora, para tentar lançar um nome próprio.

“Venderam essa ideia de que a candidatura está definida, que só resta ao PT ir com o Ducci. Não tenho nada contra o Ducci, mas se duas ou três pessoas conversaram com ele fora das instâncias partidárias, não é isso que define a posição do partido”, afirma. Apesar de parecer contida, a declaração tem potencial para causar dois mil tipos de atrito no PT local.

Zeca afirma que, assim como todos, quer a frente ampla que hoje representa a base de Lula no Congresso endossando apenas uma candidatura. “O PSB apresentou o nome do Ducci, e isso é legítimo. O PDT pode apresentar o Goura, e isso também é legítimo. Mas por que o PT apresentar seu nome seria ilegítimo?”, pergunta.

Para ele, o argumento de que é preciso apoiar um nome de outro partido em nome da governabilidade em Brasília não se sustenta. “Tenho desafiado as pessoas nos eventos a me dizer um único deputado que passará a votar com Lula por causa disso. Ou então me dizer um único voto no Congresso que o partido perderá por causa da eleição em Curitiba. Não existe essa possibilidade”, diz ele.

No evento desta semana, Zeca esteve do mesmo lado que Dartora e Magal, o terceiro pré-candidato do PT. Mas quando questionado sobre por que, em sua opinião, o nome dele deveria prevalecer, diz que seus dois mandatos como prefeito em Cruzeiro do Sul e o conhecimento dos trâmites em Brasília poderiam facilitar muito a administração da capital. Se o argumento funciona, só ficará claro nas convenções partidárias, em julho.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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