Um vídeo em que um grupo de policiais militares do Paraná domina um trabalhador rural com um mata-leão até deixá-lo desacordado está circulando pelas redes sociais do estado. As imagens foram gravadas na área rural do município de reserva no último dia 31 de outubro e chocam pelo tratamento dado ao homem, acusado pelos policiais de desacato. Apesar da brutalidade das imagens, a Polícia Militar nega que haja indícios de excesso.
De acordo com a PM, a história começou na quinta-feira passada quando uma equipe da Rotam foi cumprir um mandado de prisão. Na versão oficial, parentes do homem que deveria ser preso, procurado por "vários delitos e por ameaças graves contra diversas autoridades" teriam tentado impedir a ação da PM e desacataram os policiais.
O vídeo que circula nas redes começa no momento em que um homem, acusado de desacato, é agarrado pelos policiais. O homem tenta se libertar e diz repetidas vezes que "só quer trabalhar". Os familiares no entorno gritam e a polícia continua tentando algemar o homem, que resiste. A certa altura, um policial dá um mata-leão, agarrando o homem por trás e pressionando o antebraço contra a garganta do homem.
Depois disso, o vídeo mostra o homem estendido no chão por um longo período, aparentemente desacordado. Um policial chega a rolar o corpo dele com os pés e a família começa a gritar que o homem, que seria cardíaco, estaria morto.
Em declaração à Banda B, o coronel Hudson Leôncio Teixeira, secretário de Segurança Pública do governo Ratinho Jr., diz que o homem teria "fingido" tanto no momento em que passa mal diante da câmera quanto no desmaio.
“Eu não vejo excessos analisando o vídeo. Eu vejo policiais tentando imobilizar uma pessoa que está alterada, uma pessoa alta e forte, e tentando acalmar uma família. O mata-leão foi necessário, porque se utilizam outra técnica, poderiam causar uma fratura em um dos braços ou clavícula”, afirmou o secretário.
“Ele simulou um desmaio, está claro ali no vídeo, e também simulou outra situação de mal súbito. Mas logo os policiais imobilizaram, se afastaram do homem e chamaram o Samu para fazer o atendimento, uma vez que a família disse que ele tinha um problema cardíaco. Obviamente que tudo requer uma avaliação da Polícia Militar, pelo inquérito policial, e toda questão de perícia. Mas é o que me parece, a princípio”, disse o coronel à imprensa.
Veja a nota da PM na íntegra:
“O 26º Batalhão de Polícia Militar, na manhã de 31 de outubro de 2024, através das equipes de ROTAM, compareceu ao município de Reserva, a fim de realizar o cumprimento de um Mandado de Prisão contra uma pessoa que responde por vários delitos e por ameaças graves contra diversas autoridades, inclusive autoridades judiciais.
A execução das diligências iniciou com a negociação e o diálogo por parte das equipes táticas com os familiares do indivíduo procurado, enfatizando assim o propósito de resolver a demanda judicial de forma pacífica e amigável. No entanto, os próprios familiares do indivíduo procurado, deliberadamente, agiram no sentido de impedir as ações policiais que ocorriam de forma pacífica, resistindo e desacatando os militares que se encontravam no local, ameaçando ainda as equipes policiais com o uso de tratores e maquinários para forçar a retirada das equipes do local.
Diante da resistência dos familiares, a Polícia Militar, evitando um desgaste maior e um confronto desnecessário, decidiu por se retirar pacificamente, realizando apenas a detenção de uma das pessoas que incorreu em flagrante de desacato e ainda tentou arremessar o trator contra as equipes policiais.
Esclarecemos que toda a ação foi devidamente registrada em Boletim de Ocorrência, sendo feita a devida autuação na Delegacia de Polícia Civil de Reserva, e ainda, feita a comunicação ao Ministério Público a respeito de todos os desdobramentos.”