Três prefeituras comandadas por prefeitos do PSD, o mesmo partido de Ratinho Jr, contataram a Celepar para implantação do Mural Digital, serviço fornecido à estatal paranaense pela Linea Tecnologia em Comunicação Ltda. O proprietário da Línea é Rodolfo de Souza Aires, sócio de Gabriel Martinez Massa, irmão do governador. Os contratos das prefeituras de Curitiba, Piraquara e São José dos Pinhais, feitos sem licitação, somam um total de R$ 18,2 milhões.
A Linea ganhou quatro licitações da Celepar, no valor de total de R$ 146 milhões, como mostrou o Plural em janeiro deste ano. Uma delas, no valor de R$ 79.237.500, prevê a "prestação de serviços de TV Corporativa Mural Digital". As prefeituras podem contratar a Celepar sem licitação para a prestação de qualquer serviço, já que a companhia ainda é pública.

No fim de janeiro, a Linea afirmou ao Plural que Gabriel Martinez Massa não é mais sócio de Rodolfo de Souza Aires, mas o nome do irmão do governador ainda aparece no quadro societário da TLA Brasil Tecnologia em Monitores Ltda., conforme consulta realizada nesta quarta-feira (4 de fevereiro) no sistema do Ministério da Fazenda.
A TLA Brasil Tecnologia fornece monitores – no site da Celepar, o Mural Digital é descrito como um sistema que "conta com displays instalados em locais estratégicos". Segundo a companhia, "é a escolha certa para se comunicar de forma prática com o seu público-alvo".

Por meio da licitação em que a Linea foi escolhida para fornecer o Mural Digital, a Celepar se transformou em uma revendedora da solução – a exemplo do contrato firmado com o Google no ano passado, que permitiu à estatal paraense comercializar as soluções do gigante da tecnologia sem passar por licitação.


Veja quais são os quatro contratos para a implantação do Mural Digital, dois deles firmados pela prefeitura de Curitiba:
Curitiba: prefeito Eduardo Pimentel (PSD)
Secretaria Municipal da Educação: assinado em 18 de dezembro de 2025, o contrato nº 27.370 prevê um gasto de até R$ 12.006.904,62 para o fornecimento de murais digitais e assinaturas para lousas interativas de 86. A vigência é de 36 meses.
Secretaria Municipal de Governo: assinado em 21 de outubro de 2025, o contrato nº 27.053, tem o valor de até R$ 1.719.238,56 para a solução sob demanda, incluindo monitores avançados para Video Wall. A vigência é de 36 meses.
São José dos Pinhais: prefeita Nina Singer (PSD)
Assinado em 3 de julho de 2025, o contrato no valor de R$ 2.794.187,17, o contrato prevê prestação de ser serviço de TV corporativa, com locação de lousas digitais, gerenciamento de software, unidade de implantação Mural Digital, capacitação de administradores e usuários e consultoria especializada. A vigência é de 12 meses.
Piraquara: prefeito Josimar Froes (PSD)
O contrato assinado em outubro de 2024 prevê o fornecimento da "Solução de Mural Digital" por R$ 1.717.538,25, por 36 meses.
Em nota enviada ao Plural no fim de janeiro, a Linea afirmou que atua no segmento de tecnologia há 14 anos e que todos os contratos com governos são feitos por meio de concorrências públicas. A Celepar, segundo a empresa, representa apenas 10% de seu faturamento. Gabriel Martinez Massa nunca foi sócio da Linea, ele aparece como sócio de Rodolfo de Souza Aires apenas na TLA.
TJPR derruba cautelar que impedia privatização
A 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) cassou na segunda-feira (2 de fevereiro) a cautelar expedida pelo conselho Fábio Camargo, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que impedia a privatização da Celepar. O governo alegou que contrato a Nuvem do Serpro, o serviço de dados do governo federal, para armazenar os dados da área da segurança pública, que não podem ser geridos por empresas privadas, como determina a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
O governo do Paraná e a B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, não confirmam a informação, mas o leilão poderá ser marcado para março.
Atualização
Esta matéria foi atualizada no dia 5 de fevereiro em função de um erro. O prefeito de Piraquara quando o contrato foi firmado era Josimar Froes (PSD). A matéria citou erroneamente o atual prefeito, Marcos Tesseroli, também filiado ao PSD, que assumiu em 2025, depois que o contrato foi assinado.
"O Prefeito Marcus Tesserolli assumiu o mandato em 2025, com o contrato já vigente e com a respectiva disponibilidade financeira empenhada, em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000)", informou a Prefeitura de Piraquara.
Leia o que já foi publicado sobre a privatização da Celepar

