Agentes do Gaeco, do Ministério Público do Paraná (MPPR) encontraram cerca de R$ 100 mil em dinheiro em duas malas em um dos endereços do vereador de Curitiba Lórens Nogueira (PP), alvo de uma operação que apura as práticas de rachadinha e peculato nesta terça-feira (26 de maio). A Câmara Municipal informou nesta quarta (27) que o caso encaminhado para a Corregedoria, que poderá representar contra o vereador no Conselho de Ética.
A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado inclui um vídeo que teria feito por uma funcionária de Lórens. Nas imagens, o vereador recebe R$ 5,6 mil em dinheiro. "Esse é meu", diz ele. O pagamento teria sido feito na sede do Instituto Grupo Solidário, criado pelo parlamentar. Na Operação Déjà-vu foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão. Além do dinheiro, foram apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos.
O Plural tenta contato com Lórens Nogueira deste terça-feira, mas não houve retorno. O espaço fica aberto ao vereador e a sua defesa.
Chefe de gabinete é irmã de João Cláudio Derosso
Lórens Nogueira foi assessor parlamentar na Câmara e na Assembleia Legislativa do Paraná antes de ser eleito para seu primeiro mandato, em 2024, A chefe de seu gabinete é Maria Helena Derosso, irmã do ex-presidente na Câmara João Cláudio Derosso (PSDB), envolvido em um escândalo de corrupção em 2011.
Conhecida como Mary Derosso, a irmã de João Cláudio Derosso já concorreu a vereadora e pediu votos para Lórens Nogueira nas últimas eleições municipais. "Eu conheço o Lórens desde que ele piazinho", disse. "Ele desenvolveu um gosto pela ação social". O salário dela na Câmara é de R$ 18,5 mil.

O presidente da Câmara Municipal de Curitiba, Tico Kuzma (PSD), informou nesta quarta que a Mesa Diretora recebeu uma representação contra Lórens por quebra de decoro parlamentar. Segundo Kuzma, o vereador renunciou à presidência do Conselho de Ética da Câmara, cargo que ocupava desde janeiro de 2025.

Relembre o caso Derosso
João Cláudio Derosso foi presidente da Câmara Municipal de Curitiba entre 1997 e 2012. Em 2011, ele passou a ser investigado depois que a empresa de publicidade Oficina da Notícia, que pertencia à mulher dele na época, Cláudia Queiroz Guedes, vencer uma licitação aberta pela Câmara. Ela tinha vínculo funcional com a Câmara e havia suspeita de superfaturamento e serviços não prestados.
A empresa pode ter movimentado cerca de R$ 30 milhões, segundo a investigação da época. O Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) exigiu que Derosso devolvesse R$ 871 mil à Câmara Municipal. Ele perdeu o cargo em 2012, por infidelidade partidária, e foi declarado inelegível até 2021.