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Venezuelana em Paranaguá relata dias de medo e incerteza no país de origem

Leivis Velásquez, refugiada que vive com a família no Litoral do Paraná, reflete sobre o cenário angustiante que assola a Venezuela

Venezuelana em Paranaguá relata dias de medo e incerteza no país de origem
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Radicada no Brasil há poucos meses com o marido, Leivis Velásquez compartilha sua preocupação com a família que permanece na Venezuela. Para ela, a eventual deposição de Nicolás Maduro não seria por si só o fim da ditadura. O regime mantém grupos de civis armados, os “coletivos”, que operam como milícias para reprimir manifestações.

“Os coletivos são criminosos armados perigosos que descem das colinas dos bairros para marchar ou formar multidões quando o governo dá a ordem”, descreve Leivis. “E quando há protestos contra o governo, eles são enviados para reprimir e matar os manifestantes”, continua.

A falta de liberdade de imprensa agrava a situação, com notícias tendenciosas que não refletem a realidade. “Acho que temos mais informações aqui, no Brasil, do que aqueles dentro da Venezuela, porque lá as notícias não fornecem informação alguma”, afirma Leivis.

Dias de medo e incerteza

Leivis conta que, apesar da distância, não há como não sofrer com a situação. “Existe um conflito de sentimentos para mim e muitos outros venezuelanos. Talvez seja a ansiedade, pois agora não sabemos o que vai acontecer, já que Diosdado Cabello ainda está no país, e as futuras decisões de Donald Trump a esse respeito são desconhecidas. O que as pessoas não querem é abandonar uma ditadura e ficar à deriva.”

Durante os períodos de maior agitação, a família de Leivis que ficou na Venezuela adotou o isolamento social. “Meus pais me disseram que estavam em isolamento e que não haviam muitas notícias na mídia como um todo”, relata.

Contudo, as conversas com os familiares revelam um cenário de tensão constante. “No dia em que Maduro foi deposto, a primeira coisa que as pessoas fizeram na Venezuela foi ir aos supermercados para estocar comida. Meus familiares contaram que os supermercados estavam lotados. É claro que isso se aplica àqueles que têm condições de comprar coisas, porque existe outro grupo de pessoas que depende inteiramente de um bônus mensal do governo, já que seu salário é insignificante”, detalha Leivis.

Oportunidades

A história de Leivis é um exemplo das dificuldades enfrentadas por muitos venezuelanos que buscam refúgio no Brasil. Há apenas três meses no país, ela e o marido tentam reconstruir suas vidas. O companheiro de Leivis foi demitido sem aviso prévio de uma empresa estatal na Venezuela, sem receber os benefícios e indenização por 14 anos de serviço. “Ele nunca recebeu seus direitos nem a indenização por anos de trabalhos dedicados”, lamenta Leivis.

Um processo no Ministério do Trabalho impediu que o marido de Leivis iniciasse um novo emprego, dificultando ainda mais a adaptação da família.

Operação Acolhida

O Paraná é o estado brasileiro que mais recebeu venezuelanos por meio da Operação Acolhida, uma resposta humanitária do Governo Federal para o intenso fluxo migratório na fronteira. Muitos desses imigrantes ainda têm familiares vivendo na Venezuela.

Coordenada pelo Subcomitê Federal de Acolhimento e Interiorização de Imigrantes em Situação de Vulnerabilidade, a operação garante atendimento a refugiados e migrantes venezuelanos, promovendo a realocação voluntária, segura, ordenada e gratuita para outras cidades do Brasil.

Até janeiro de 2025, mais de 145 mil imigrantes e refugiados haviam sido interiorizados para 1.078 municípios brasileiros. Curitiba destaca-se ao acolher 8.930 migrantes venezuelanos, sendo a cidade com maior concentração dessa população no Brasil. A Operação Acolhida oferece modalidades de interiorização, como a Reunificação Familiar, para ajudar a reunir essas famílias.

Andresa Costa

Andresa Costa

Jornalista por formação, especialista em Comunicação Audiovisual - Cinema e Televisão. Já trabalhei como repórter em jornal impresso, rádio e TV aberta

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