O deputado estadual Renato Freitas (PT) denunciou ao Ministério Público do Paraná (MPPR) o apresentador Valdomiro Cantini, que fez uma fala racista contra o parlamentar no programa “Microfone Aberto”, da Massa FM de Cascavel. No dia 3 de março, Cantini disse que Freitas tem "cabelo de lixiguana”.
“Gente, vou te contar uma coisa… Tira uma geladeira do cabelo, tira o celular. Que loucura", afirmou o apresentador na sequência. Lixiguana é um termo usado para designar uma espécie de vespa. Além de apresentador, Valdomiro Cantini é diretor da Massa FM de Cascavel.
Renato Freitas disse que vem sendo alvo de uma campanha de calúnia por parte do Grupo Massa, que pertence ao apresentador do SBT Carlos Ratinho Massa, pai do governador Ratinho Jr.
"Infelizmente já estou acostumado com a campanha permanente de calúnia e difamação promovida pela grande mídia contra mim, sobretudo quando o ataque parte do Grupo Massa", disse o parlamentar. "Mas não posso deixar essa gente se sentir livre para ofender todos nós que nos livramos das amarras do racismo e libertamos nossos cabelos que eles querem presos ou raspados. Ele não atacou só a mim, e sim a toda pessoa negra que ousa ostentar seu black power".
O Plural não conseguiu contato com Cantini na tarde desta sexta-feira (20). O espaço fica à disposição caso ele queira se manifestar.
Sindicato dos Jornalistas repudia fala
A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial e a Diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná repudiou as falas do apresentador. Segue a nota:
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) manifesta repúdio às falas racistas do apresentador Valdomiro Cantini, da rádio Massa FM. O comunicador ironizou o cabelo em estilo black power do deputado estadual Renato Freitas (PT), eleito pelo povo paranaense.
Popularizado nos anos 1960, no contexto do movimento Black Power e da luta pelos direitos civis da população negra, o cabelo natural volumoso tornou-se um dos símbolos mais fortes da identidade afro, representando resistência, orgulho e afirmação da negritude.
Transformar esse símbolo em piada revela não apenas preconceito, mas também um preocupante déficit de letramento histórico e racial por parte de quem ocupa um microfone público.
O SindijorPR lembra que o rádio opera por meio de concessão pública, o que exige responsabilidade, respeito e compromisso com os valores democráticos. O uso jocoso de características físicas de um homem negro é inaceitável. Racismo não é opinião. É atraso. Precisa ser enfrentado sempre que se manifeste.