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Relator pede cassação de Renato Freitas por briga na rua e defesa alega nulidades no processo

Para advogado, relator é suspeito e ignorou vídeo que mostra manobrista correndo atrás do deputado

Relator pede cassação de Renato Freitas por briga na rua e defesa alega nulidades no processo
A reunião desta quarta-feira do Conselho de Ética da Assembleia / Foto: Valdir Amaral/Alep
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O deputado Marcio Pacheco (Republicanos) apresentou nesta quarta-feira (6) parecer em que pede a cassação do mandato de Renato Freitas (PT), que se envolveu em uma briga de rua em novembro do ano passado no Centro de Curitiba. O deputado Dr. Antenor (PT) pediu vista e o parecer será votado na próxima segunda-feira (11) pelo Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

Para a defesa de Renato Freitas, o processo tem irregularidades que podem levar à nulidade. A primeira delas seria a suspeição do relator, que fez ao menos seis postagens nas redes sociais em que teria antecipado a condenação do deputado. "Ele (Marcio Pacheco) se manifestou sobre este caso previamente antes de ser relator. Foram pelo menos seis vezes nas redes sociais, antecipando já uma condenação ao Renato. E depois virou relator", disse o advogado Edson Vieira Abdala.

Segundo Abdala, o caso não poderia ser julgado pelo Conselho de Ética, pois o Regimento Interno na Assembleia define que esse tipo de situação só pode ser analisado pelo colegiado se ocorrer quando o parlamentar está no exercício de seu mandato. "Não há qualquer correlação com o mandato no instante em que o deputado Renato vai com a sua companheira ao médico, em uma atividade privada", afirmou Abdala.

O Tribunal de Justiça do Paraná, disse o advogado, já reconheceu que Renato Freitas não exercia o mandato no momento em que se envolveu na briga. "O Tribunal de Justiça declinou a competência para a Justiça Comum, porque entendeu que ele (Freitas) não estava no exercício do mandato, logo ele não tem prerrogativa de foro. Parecer do Ministério Público e o Tribunal de Justiça já disseram que ele não estava no exercício do mandato".

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Vídeos

Outro ponto são os vídeos que constam do processo. De acordo com Edson Vieira Abdala, as imagens foram aceleradas e não mostram trechos que já foram divulgados nas redes sociais – entre eles o momento em que o garagista Weslley de Souza Silva, que se envolveu na briga com Renato Freitas, estaciona o carro e corre atrás do deputado e de seu assessor – o que mostraria que ele procurou o confronto.

Segundo o advogado, todos os requerimentos feitos pela defesa para a inclusão de outros vídeos foram indeferidos. Um desses pedidos foi feito na sessão do dia 6 de abril.

"Os vídeos estão acelerados e não há vídeo completo. Só há vídeo do interesse da parte que representa (contra Renato Freitas). Eles não julgaram o começo, o meio e o fim, separaram apenas os pedaços que interessavam a eles, logo a cadeia de custódia foi prejudicada."
Edson Vieira Abdala, advogado de Renato Freitas
O advogado Edson Vieira Abdala / Foto: Antonio More/Alep

Abdala disse ainda que Marcio Pacheco extrapolou suas prerrogativas ao convocar testemunhas. "Entendemos que o relator não poderia indicar testemunhas se o representante não o fez".

Para Marcio Pacheco, a conduta se enquadra em hipóteses previstas no Código de Ética e Decoro Parlamentar. Três fundamentos justificariam a cassação: a ocorrência de vias de fato no exercício do mandato; procedimento que afeta a dignidade da representação popular; e comportamento incompatível com o decoro parlamentar e atentatório às instituições.

O deputado Marcio Pacheco / Foto: Valdir Amaral/Alep

Os fatos teriam sido comprovados pela confissão de Freitas, depoimentos e registros audiovisuais.

"Não há espaço para relativizar conduta violenta praticada por quem ocupa um mandato público; e a penalidade prevista é objetiva segundo a norma vigente da casa: cassação do mandato parlamentar".
Marcio Pacheco, relator do processo de Renato Freitas no Conselho de Ética

O Plural entrou em contato com a assessoria de Marcio Pacheco, mas o deputado não comentou as alegações da defesa de Renato Freitas.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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